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O que podemos esperar

14 Dezembro, 2012 01:08 | Luís Lopes

Fazer previsões na actual conjuntura económica, social e política assemelha-se a uma qualquer divagação astrológica. Mas ainda assim é possível detectar tendências no sector do vinho, linhas de rumo que se deverão confirmar em 2013. E nem todas são necessariamente más.


Teremos o mesmo governo daqui a três meses? Iremos pedir mais dinheiro daqui a seis? Portugal ainda estará no euro daqui a um ano? Nem o mais experiente político ou economista tem uma reposta convicta para estas ou outras questões do género. Fazer previsões a curto prazo talvez seja mais fácil se nos focarmos numa única área de actividade, como a fileira do vinho, apesar de estar, como todas as outras, sujeita à evolução da macroeconomia. Mas quem estiver atento ao mercado pode detectar sinais importantes, que permitem prever, com a segurança possível nas actuais circunstâncias, as principais tendências para 2013. Aqui aponto cinco que tenho como seguras:


 


1. O alargamento da oferta no patamar €1,99. É possível, para uma empresa com uma estrutura produtiva muito orientada, ter os seus vinhos numa prateleira de hipermercado a €1,99 e ganhar dinheiro. Mas a maior parte da oferta nesse segmento de preço vem de produtores desesperados e pouco eficientes, que vendem mais barato do que lhes custou produzir. Essa tendência vai avolumar-se em 2013 e o consumidor vai ter à sua disposição uma infinidade de bons vinhos ao preço da chuva. A maioria como “marcas exclusivas” dos super e hipermercados.


 


2. O fortalecimento das marcas. Num mercado regido pela variável preço, mas inundado de rótulos desconhecidos, o risco de decepção aumenta para o consumidor. As marcas de maior notoriedade e com boa relação qualidade-preço apresentam-se como porto seguro. Mas vai ser preciso investir na comunicação.


 


3. O aumento de insolvências, aquisições e consolidações. Não é preciso ser bruxo para prever o aumento das insolvências no sector do vinho. Mas vão crescer igualmente as aquisições e, sobretudo, as consolidações. É que ao lado de empresas frágeis, “amadoras” e descapitalizadas existem empresas fortes e altamente profissionalizadas. Vão surgir excelentes oportunidades de negócio, sobretudo para as grandes empresas exportadoras. Por outro lado, acredito que também vai haver aquisições e consolidações entre as grandes, muitas delas fortemente pressionadas pela banca credora, e que dessa forma ganharão ainda maior dimensão para atacar os mercados internacionais.


 


4. O crescimento das exportações. É quase uma inevitabilidade, uma condição sine qua non para sobreviver. Quando um mercado se contrai, há que procurar outros. Hoje em dia, não podemos dizer que uma empresa de vinhos de média dimensão é saudável se não exportar pelo menos 70% daquilo que produz. Portugal vai tornar-se em apenas mais um mercado, ainda que, naturalmente, continue a ser o primeiro mercado para a grande maioria dos produtores.


 


5. Uma maior procura de vinhos diferenciados. Vinhos Bio, vinhos de enologia minimalista, vinhos com castas raras, tudo o que cheire e saiba diferente e tenha uma boa história para contar, verá crescer o seu mercado, nacional e de exportação. É aí que os mais pequenos podem brilhar.


 

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