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O mercado de vinhos

14 Janeiro, 2013 01:12 | Luís Lopes

O comércio de vinhos em Portugal sofre naturalmente o reflexo da conjuntura económica, mas os dados relativos a 2012 indicam que, na categoria das bebidas, o vinho foi dos produtos que menos sofreu com a crise. E algumas regiões mostram performances positivas.


Os números da empresa de estudos de mercado Nielsen são unanimemente considerados os mais fiáveis, e é quase sempre neles que se baseiam as análises ao mercado nacional de vinhos. A poucas semanas do final do ano de 2012, os dados disponíveis acabam por confirmar muitas das tendências que a observação atenta do mercado e os contactos informais com produtores e vendedores indiciavam.


Cada vez se faz mais refeições em casa em detrimento da restauração tradicional e não espanta por isso que os dados da Nielsen evidenciem o peso esmagador do chamado ”off trade” (super e hipermercados, sobretudo) no comércio de vinhos, representando hoje cerca de 80% das vendas. No ano que passou, assistimos a uma quebra no consumo do chamado vinho “corrente”, bem como de refrigerantes, águas, destilados, cervejas e vinho do Porto. A quebra dos “correntes” beneficiou os “vinhos de qualidade” (para efeitos estatísticos, todos os que são cheios em garrafas de 750 ml ou 375 ml), que viram as suas vendas subir ao longo de 2012. E como, no ano que passou, os vinhos de mesa ganharam uma ligeira quota de mercado nos restaurantes mas perderam bem mais nos super e hipermercados (totalizando cerca de 21,5% de quota no conjunto) os grandes vencedores foram os vinhos com denominação de origem, que aumentaram o seu volume de vendas. Também se venderam mais espumantes, ainda que à custa de uma descida nos preços. Por falar em preços, numa prateleira de supermercado, um vinho custa, em média, cerca de €1,50.


Como é natural, em 2012 algumas regiões cresceram mais do que outras. Sumariamente, e deixando de fora os vinhos de mesa, Alentejo (com 43,2% de quota de mercado em volume), Setúbal (12,1%), Tejo (4,6%), Lisboa (3,5%) e Algarve (0,3%) aumentaram o seu espaço; Douro (8,4%), Beiras (aqui os números Nielsen não diferenciam e consideram em conjunto Dão, Bairrada e Beira Interior, com 7,1%) e Vinhos Verdes (20,8%) desceram. Mas mais significativo do que a variação de performance de um ano para o outro, é a avaliação de vários anos consecutivos. E ao fazê-lo percebemos que quase todas regiões que subiram ou desceram de 2011 para 2012 confirmam tendências dos últimos cinco anos, destacando-se pela positiva o crescimento sustentado de Setúbal e, com sinal contrário, a quebra acentuada das regiões das Beiras.


Um dado importante: cada vez se vende mais vinho embalado em bag-in-box: somando restaurantes e distribuição moderna, representa cerca de 35,4% do total. Mas nos restaurantes, os vinhos em bag-in-box praticamente igualam em volume os vinhos vendidos em garrafa, algo impensável há meia dúzia de anos. É também interessante perceber que o conteúdo destas embalagens se sofisticou: os vinhos com denominação de origem são já quase 18% do total de bag-in-box, e destes mais de metade são Alentejo.


São apenas números, que não revelam tudo e não podem ser objecto de interpretações apressadas ou simplistas. Mas que suscitam (e exigem) alguma reflexão.


 

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