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Nome capital

31 Maio, 2013 11:08 | Luís Lopes

Oeste, Estremadura, Lisboa. Em 30 anos o nome foi mudando mas a região e seus vinhos mudaram muito mais e para melhor. A proximidade do mar garante a frescura destes vinhos e funciona como denominador comum de uma grande variedade de aromas e sabores.


O painel de prova desta edição de Maio, em torno dos tintos de Lisboa, chama a atenção para uma região que se distingue da maior parte das congéneres nacionais pela sua enorme polivalência. Essa polivalência manifesta-se, desde logo, na grande variedade de castas de uva ali plantadas. Nacionais ou estrangeiras, “tradicionais” ou “modernas”, as variedades mais utilizadas pelos produtores de Lisboa souberam adaptar-se da melhor forma às suaves colinas, à diversidade de solos e ao clima atlântico, com os seus Verões amenos. Jogando com todos estes factores, é assim possível obter numa mesma região muito bons resultados tanto com castas “quentes” como Syrah ou Tinta Roriz, como com variedades de clima frio e que, em Portugal, têm alguma dificuldade em produzir vinhos dignos de nota, como Pinot Noir ou Sauvignon Blanc.


A polivalência da região de Lisboa facilita também a vida aos produtores na definição do perfil do seu negócio. Com as castas apropriadas, é possível nestas terras fazer vinhos de qualidade com produções vitícolas muito elevadas (em alguns casos acima de 20 toneladas/hectare) e levá-los às mesas de todo o mundo a preços muito competitivos. Mas há também lugar aos produtores “boutique”, que procuram a excelência à custa de um trabalho de vinha e adega orientado noutro sentido. E existe quem seja capaz de fazer as duas coisas: competir eficazmente no feroz mercado de volume e preço e ao mesmo tempo dar cuidados especiais a uma parcela de vinha para originar um “vinho bandeira”.


Numa região que se estende de Lisboa até acima de Leiria, ao longo do litoral, há naturalmente um pouco de tudo, e zonas com muito maior potencial qualitativo do que outras. Mas aqui, frequentemente, o local que não serve para fazer bons tintos pode fazer brancos de grande nível. E, se não for o caso, é sempre possível explorar a vertente dos espumantes, dos “leves” (um vinho entre 9 e 10% de álcool, que já faz vários milhões de garrafas e que tem espaço para crescer) ou até as aguardentes, ainda que estas últimas tenham um mercado muitíssimo mais limitado.


Na região de Lisboa há ainda muito por fazer e margem para melhorar. A prova que fizemos este mês e para a qual pedimos a cada casa o seu vinho de topo, mostrou naturais disparidades mas revelou também que vários produtores não sabem verdadeiramente o que o seu vinho vale, em qualidade e preço, face à concorrência regional, nacional e estrangeira (um problema que não é só desta região). Conhecer o que os outros andam a fazer (aprendendo com isso, nem que seja para fazer diferente) e generalizar uma cultura de qualidade serão etapas fundamentais para o crescimento. Mas é precisamente o facto de a “nova” região de Lisboa estar a dar os primeiros passos enquanto tal que torna ainda mais aliciante o seu futuro. O potencial está lá e é enorme, há que tirar partido dele e materializá-lo. Utilizar como denominação de origem o nome de uma das mais bonitas capitais da Europa é uma responsabilidade que a região vinícola de Lisboa saberá justificar.(LL)


 

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