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O ano começa com Syrah

23 janeiro, 2017 03:08 | Luís Lopes

Para exaltar a sua paixão pela uva Cabernet e pelos vinhos de Bordéus, e para vincar o seu desagrado pela Baga, o saudoso Luiz Costa, das Caves São João, costumava dizer que “as castas não têm fronteiras”. No que respeita à Syrah, o mínimo que se pode dizer é que as fronteiras das vinhas portuguesas estão completamente abertas.
E não é difícil perceber porquê. Na verdade, a respeito da Syrah só se podem dizer coisas boas. Quando, no final de cada vindima, passo pelas adegas e pergunto a produtores e enólogos com que castas estão mais satisfeitos, posso apostar que, se a Syrah está presente na vinha, ela será invariavelmente referida. No ameno clima português, a consistência qualitativa desta uva oriunda do sul de França é deveras impressionante. Por via disso, tem sido a casta “estrangeira” que mais cresceu em área de plantação ao longo dos últimos anos, especialmente nas regiões da metade sul do país: Alentejo, Setúbal, Tejo, Lisboa, Algarve. e o seu poder de atracção chegou inclusive ao Douro, com vários produtores de referência a apostarem nela para complementar a sua oferta.
A prova de varietais Syrah publicada este mês é apenas a ponta do icebergue, uma vez que a esmagadora maioria destas uvas são utilizadas em lote, acompanhando outras castas nacionais e internacionais. Por este andar, não sei até onde a Syrah poderá ir em termos de implantação nacional. O que sei, é que a “onda Syrah” não dá mostras de abrandar.
Mas nem só de Syrah, felizmente, vive a RV de Janeiro. Fizemos uma viagem pelo Douro Superior, e experimentámos a raça e o carácter da terra, das gentes e do vinho deste Douro mais profundo e agreste. Os vinhos reflectem, naturalmente, a terra (com tudo o que esta palavra inclui), mas no caso dos chamados “vinhos de garagem”, outro dos temas fortes desta edição, os vinhos são sobretudo a cara das pessoas que os criaram e deles cuidam de forma quase artesanal.
Carácter encontramos igualmente nas terras de Alcácer do Sal, uma zona muito particular influenciada pelo rio Sado e pelo oceano Atlântico e aqui objecto de reportagem. E depois temos, é claro, os vinhos. O final de Novembro e início de Dezembro é a época habitualmente escolhida pelos produtores para apresentarem as novas colheitas dos seus vinhos mais ambiciosos e a revista de Janeiro é bem o espelho dessa realidade, com mais de duas dezenas de páginas ocupadas com esses Lançamentos. Muitos e variados vinhos, oriundos de diversas regiões, incluindo propostas bastante aliciantes.
Mas se quiser saber mesmo tudo sobre o que o mercado lhe oferece, basta adquirir o Guia de Compras 2016, já nas bancas. É a maior edição de sempre deste Guia que reúne um ano inteiro de provas da Revista de Vinhos. Sem dúvida, uma boa forma de entrar em 2016: falando de (e bebendo!) bons vinhos.


(Editorial publicado na Revista de Vinhos nº 314, Janeiro de 2016)

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