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Vinho Verde, a origem de um nome

15 Setembro, 2009 02:46 | Luís Lopes

A edição de Junho da RV é, em grande parte dedicada ao Vinho Verde, através de um roteiro enoturístico da região e de um painel de prova de Verdes brancos monocasta, onde se abordam seis variedades: Loureiro, Azal, Avesso, Trajadura, Arinto e Alvarinho.

O Vinho Verde é um vinho bem amado dos portugueses, em segundo lugar no ranking de consumo nacional, a seguir ao Alentejo e à frente do Douro. Mas é também, se exceptuarmos os Alvarinho, um vinho relativamente pouco valorizado (o que não deixa de ser uma injustiça face à enorme evolução da região e dos seus vinhos ao longo dos últimos anos) e, sobretudo, um eterno desconhecido, a começar pelo nome. Vinho “Verde”, porquê? Desde há muito que os apreciadores colocam esta questão, mas nunca receberam uma resposta convincente.
A versão "oficial" foi durante largos anos (e, se se fizer a pergunta a diversos produtores da região, ainda é) a de que os Vinhos Verdes ganharam o nome devido ao aspecto verde e fresco da paisagem minhota. Mesmo nos meses de Verão, o verde da paisagem era acentuado pelas vinhas, que subiam pelas árvores (nos tradicionais "enforcados") e se expandiam pelas bordaduras dos campos de cultivo, em ramadas e latadas. Tão bonito e idílico, não é? Mas não é verdade. Esta versão foi encontrada para contrariar a ideia original de que os vinhos se chamavam Verdes por serem feitos de uvas não completamente maduras, ou pelo menos não tão maduras quanto nas das outras regiões vinícolas nacionais.
A verdade, por vezes, é incómoda. Mas tudo indica que, efectivamente, o nome Vinho Verde, que já vem do século XIX, se deve precisamente ao facto da conjugação do clima e das antigas técnicas de viticultura locais (vinhas exuberantes, conduzidas em altura e profusamente regadas pela água das hortas) condicionarem a maturação das uvas. Ou seja, esses vinhos chamaram-se Verdes porque eram efectivamente feitos de uvas verdes. Tanto que, a legislação vitivinícola portuguesa de 1946 dividia os vinhos nacionais, precisamente, entre "verdes" e "maduros". Segundo a mesma legislação, os Verdes deveriam ter entre 8 e 11,5 de teor alcoólico (com excepção do Alvarinho que teria entre 11,5 e 13). Na categoria "verdes", embora noutra região, entravam ainda os vinhos de Lafões, com um mínimo de 9 graus. Os Maduros, teriam um mínimo de 11 graus e dividiam-se entre "vinhos de mesa" e os "típicos regionais", onde, a título de curiosidade, se encontravam, apenas, os Douro, Dão, Bucelas e Colares. Depois, havia os vinhos especiais, onde entravam espumantes, licorosos, generosos (os licorosos mais nobres - Porto, Madeira, Moscatel de Setúbal e Carcavelos), aperitivos, medicinais, etc. Mas isso é outra história, para outra ocasião.
Em conclusão: na origem da designação Vinhos Verdes estará, efectivamente, a constatação de que eram feitos de uvas não completamente maduras. É uma curiosidade histórica, se quisermos, mas que hoje não tem qualquer importância. A vinha e o vinho na região dos Vinhos Verdes, passaram por enormes transformações nas últimas duas décadas. Hoje, na sua maioria, é uma região de viticultura moderna, com castas de grande qualidade (Alvarinho, Loureiro, Avesso, por exemplo), e uvas que atingem o ponto de maturação ideal. A região dos Vinhos Verdes tem condições para fazer alguns dos melhores brancos nacionais. E, muitas vezes, faz.
A origem do nome Vinhos Verdes é como a estória do esqueleto do tio-avô pirata guardado no armário. Para a grande maioria, deve lá ficar para sempre, sem ver a luz do dia e muito menos vir tomar chá na sala. Para outros, entre os quais me encontro, deveria ser sentado à mesa e apresentado aos amigos, como parte da história de uma região que tem muito de que se orgulhar.
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José Ferreira
José Ferreira . (há 507 dias 15 horas e 18 minutos)
A frase seguinte foi escrita numa memória paroquial de 1758: "O vinho é verde ou de enforcado, ordinariamente pouco, sempre ruim, de nenhuma substância, e nenhuns acidentes tem de vinho".
Responder
João Geirinhas
João Geirinhas . (há 505 dias 2 horas e 51 minutos)
É caso para dizer que hoje a realidade se encarregou de desmentir a história.
1 Comentário(s)
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