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Francisco Colaço do Rosário (1935 - 2008)

12 Fevereiro, 2009 01:31 | Luís Ramos Lopes

Como sempre acontece nestas coisas, a noticia chegou de surpresa. No passado dia 20 de Janeiro faleceu Francisco Colaço do Rosário.

No momento em que apresentamos mais uma edição especial de “Os Melhores do Ano”, é obrigatório recordar aqui um dos melhores entre os melhores, um grande Senhor do Vinho, prémio com que foi agraciado por esta revista na edição de Fevereiro de 1999.
Poucas pessoas terão influenciado tanto o desenvolvimento da vitivinicultura da sua região de origem como Francisco Colaço do Rosário o fez no Alentejo. Nascido no ano de 1935 em Messejana, concelho de Aljustrel, Colaço do Rosário formou-se pelo Instituto Superior de Agronomia em 1963. Os primeiros anos da sua profissão foram dedicados ao ensino, na escola de Regentes Agrícolas de Évora. Foi no início dos anos 70 que Colaço do Rosário se lançou no seu primeiro projecto vinícola. O trabalho de investigação denominado Caracterização dos Vinhos das Adegas Cooperativas do Alentejo serviu de tese para a sua admissão como Professor Técnico na Universidade de Évora (onde, mais tarde, fundou a cadeira de Enologia) e constituiu o primeiro levantamento científico dos vinhos alentejanos. A este trabalho foi dada continuidade em 1977, com o Projecto da Vitivinicultura do Alentejo, onde Colaço do Rosário foi responsável pelo grupo que realizou o estudo das castas cultivadas na região, através de microvinificações. O resultado destes trabalhos, e de outros que se seguiram, serviria de base para a constituição da Denominação de Origem Alentejo, em 1989.
No início dos anos 80, começavam formar-se as primeiras empresas vitivinícolas numa região que só possuía as adegas cooperativas, criadas nos anos 50, e meia dúzia de pequenos produtores. Colaço do Rosário manteve-se desde o início associado a esse movimento imparável, tendo mesmo estado na génese, como técnico responsável, de dois dos mais prestigiados projectos vitivinícolas alentejanos e nacionais: o do Esporão, onde participou na concepção da adega e conduziu as vinificações entre 1985 e 1990, e o da Fundação Eugénio de Almeida, onde a partir de 1980 delineou a reestruturação das vinhas e da adega da Cartuxa. Como técnico principal da Cartuxa, onde se manteve até 2006, Francisco Colaço do Rosário foi o responsável pela implementação de toda uma filosofia que deu origem a grandes vinhos, como o Cartuxa ou o Peramanca, que muito contribuíram para o engrandecimento e prestígio do Alentejo.
Mesmo depois de deixar a Fundação Eugénio de Almeida, ainda que debilitado pela doença, Colaço do Rosário não deixou por completo o vinho, apoiando, com o inseparável enólogo, amigo e confidente Francisco Pimenta, os projectos da Comenda Grande, em Arraiolos e da Herdade da Comporta.
Ao longo da sua vida, Colaço do Rosário esteve sempre pronto e disponível para colaborar na promoção e desenvolvimento do vinho da sua região. Foi, assim, um dos primeiros elementos da Câmara de Provadores da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana e Escanção Mor da Confraria dos Enófilos do Alentejo desde a sua constituição.
Honrarias não lhe faltaram em vida. Para além do prémio Senhor do Vinho, já referido, avulta a condecoração, pelo Estado português, em 1997, com o grau de Comendador da Ordem Militar de San´tiago da Espada, pelos serviços prestados à vitivinicultura alentejana.
Mas, mais do que as honras e os prémios, Francisco Colaço do Rosário, pessoa sensível, de fino trato, humano como poucos, soube recolher o respeito e admiração de quantos o conheceram, e honrar e apreciar a amizade de muitos. Entre os quais eu, muito humildemente, me incluo.
Partiu um Senhor do Vinho. Fica a sua memória e a nossa homenagem.
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