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Churchill´s

Centro de Visitas Churchill’s - New is beautiful

14 Fevereiro, 2013 12:49 | Samuel Alemão e Foto de Anabela Trindade

A mais jovem das companhias britânicas do Vinho do Porto abriu um centro de visitas, há cerca de um ano. Situado a jusante da turística zona ribeirinha de Gaia, é montra de uma casa que tem ganho prestígio ao longo de três décadas. Pequena, mas que sabe receber.


A perenidade, sabêmo-lo bem, é hoje um valor com enorme cotação. E quando dizemos valor, podemos traduzi-lo através da sua vertente económica, naturalmente. Tal se deve ao apreço que um número crescente de pessoas demonstra ter por tudo aquilo que conseguiu resistir ao passar do tempo – sobretudo numa era em que ele parece bastante escasso. No momento em que a vertigionosa aceleração da difusão e do acesso à informação, e a sua constante presença online, criam uma espécie de estado colectivo de ansiedade permanente, tende-se a encontrar segurança e aconchego espiritual em tudo o que remete para uma ideia de antigo, de constância. Para além dos inúmeros fétiches do consumo “vintage”, certos produtos há que, desde sempre, nos conduziram por essa estrada do saber apreciar aquilo que não é feito à pressa e tende a ser validado por uma pátina cronológica. O vinho do Porto e os seus vintages – aqui a palavra tem o significado de sempre, dissociada de modas - são disso o exemplo perfeito. Afinal, estão entre nós há muito tempo.


A demarcação da região vitivinícola do Douro, pelo Marquês de Pombal, em 1755 – que a torna na mais antiga do mundo -, a antiguidade das casas comerciais vinhateiras sedeadas em Vila Nova de Gaia e a sua relação umbilical com Inglaterra são dados amplamente conhecidos e não necessitam de grandes apresentações. A história, assente sobre o labor árduo de sucessivas gerações de agricultores, produtores e comerciantes, fez o resto. O Vinho do Porto é hoje um dos emblemas, ostentados com orgulho, por Portugal. Soará, por isso, estranho a um público menos informado, se lhe falarem de uma marca de vinho do Porto que se estabeleceu apenas há 30 anos. Fundada em 1981, a Churchill’s é a primeira companhia produtora de vinho do Porto britânica a surgir no último meio século. O seu criador, John Graham, descende de uma das famílias com nome mais solidamente firmado no ramo e, com 60 anos, continua a dirigir a empresa que idealizou com o intuito de fazer vinhos à sua maneira. O nome Churchill foi buscá-lo à mulher Caroline. O centro de visitas, aberto há pouco mais de um ano, é o lugar ideal para conhecer esta marca, cujo trabalho tem sido elogiado.


Edifício reabilitado


Situado numa curva de uma rampa, ladeada por muros e armazéns, no número 5 da Rua da Fonte Nova, a poente da turística zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia – onde estão quase todas as caves históricas das outras marcas -, o centro abriu por ocasião da celebração da terceira década de vida da companhia, no final de 2011. O novo espaço, localizado numa encosta com vista privilegiada sobre o rio e as cidades do Porto e de Gaia, resulta da reabilitação de um velho edifício que, além das caves de envelhecimento e armazenagem dos vinhos, servia também como área de apoio administrativo. Foi essa parte da empresa que de lá saiu, para dar lugar à nova sala de recepção de enoturistas. Até essa altura, apenas lá entravam as pessoas do meio e os contactos profissionais. Os enófilos e curiosos ainda batiam à porta, com o intuito de provar vinhos, “mas, na maior parte das vezes, tal não era possível e as pessoas tinham que se ir embora”, recorda Maria Emília Campos, 50, directora de vendas e marketing da empresa. A responsável regressou à empresa, há três anos, depois de um interregno na ligação que com ela tinha desde a sua fundação, e assumiu a criação do centro de visitas como prioridade.


Poderá pensar-se que, sendo uma companhia tão jovem se comparada com as restantes casas dos portos, esta não teria muito que contar. O que está bem longe de corresponder à verdade. Até porque a ideia foi, desde o início da Churchill’s, fazer algo diferente, que a demarcasse dos restantes. Ao longo dos 30 anos de actividade, isso foi evidente na produção do vinho generoso, primeiro, e nos vinhos de mesa do Douro, desde 2004, estes sob a designação Churchill Estates. “Sempre tentámos fazer vinhos elegantes. Para nós, se a fruta tem muita qualidade, isso evidenciar-se-á e os taninos surgirão bem marcados. Nunca quisemos fazer vinhos demasiado macerados”, explica John Graham à Revista de Vinhos, numa enunciação do traço distintivo da chancela por si criada. Esses predicados têm sido devidamente reconhecidos, quer pelos consumidores, quer pelos painéis de prova de diversos concursos internacionais. Sobretudo relativamente aos portos, dos quais dispõe de uma gama de nove vinhos diferentes – nos quais se contam tawnies, reservas, LBV, Crusted, Vintage e um aperitivo Dry White.


Em Gaia, a pensar no Douro


Já os vinhos de mesa Douro representam a faceta mais recente e de crescimento mais rápido na firma. O seu surgimento no portfólio da Churchill’s está directamente relacionado com a aquisição, em 1999, da Quinta da Gricha. São 50 hectares de vinhas classificadas com a letra A, a mais valiosa do Douro, situados na margem esquerda do rio, entre a vila do Pinhão e a foz do Tua, em plena sub-região do Cima Corgo. Até então, as uvas eram maioritariamente provenientes dos 20 hectares de vinha da Quinta do Rio e compradas as terceiros, embora ambas continuem a ser fontes de abastecimento de matéria-prima. Na Gricha, existem os tradicionais lagares de pedra granítica, construídos em 1852, onde é feita a pisa a pé da fruta que está na origem dos portos da companhia. A cinco quilómetros dali, encontra-se em construção a nova adega, vocacionada para a produção de vinhos de mesa, a qual deverá estar operacional a tempo da vindima de 2014 ou, mais tardar, no ano seguinte. É neste segmento que a empresa quer crescer, sobretudo no mercado externo.


Tal vontade de aumentar vendas não afasta, porém, uma ideia fixa na cabeça dos seus responsáveis: esta é uma empresa pequena, mas que se define como “produtor de alta qualidade, de ‘boutique’, de vinhos do Porto e do Douro” e que quer evitar a sua massificação. Produzem-se, anulamente, 240 mil garrafas em cada um daqueles segmentos. Este posicionamento assenta que nem uma luva ao centro de visitas, onde prevalece uma ideia de personalização no atendimento, de um certo intimismo. Quem chega sobe ao primeiro piso, através de umas íngremes escadas de madeira, e é recebido na renovada sala, agora preparada para o atendimento de turistas e lugar onde se realizam as provas. Depois de feitas as apresentações, é aberta uma porta de correr e entra-se na área de envelhecimento de vinhos. O lugar, logo à entrada, é dominado por quatro enormes tonéis com capacidade para 45 mil litros cada um, cheios de Late Bottled Vintage (LBV). Nesse cenário, semi-inebriados pelo odor perfumado do vinho contido dentro da madeira, ouvimos as explicações do guia sobre como é feito o vinho do Porto, as diferentes etapas do processo produtivo e a distinção entre as suas categorias. Tudo muito claro e sem complicar.


Provas para diferentes gostos


A lição, que inclui também a vertente histórica, quer sobre os vinhos do Porto e do Douro quer sobre a Churchill’s, desenrola-se igualmente na sala seguinte, onde, na penumbra, estão as barricas com o resto do vinho em processo de maturação e parte da produção engarrafada. Voltando à sala com os grandes tonéis, podemos pedir para subir aquela escada metálica ao canto, que nos leva ao segundo piso. Aí se situa uma sala com generosa vista sobre o Douro e a Serra do Pilar. Nela se realizam os jantares vínicos e os showcooking – algumas vezes, sob a batuta do chef Vítor Sobral -, que podem ser marcados para um máximo de 40 comensais. Descendo até à sala inicial, fazemos a “prova clássica” (4 , incluindo a visita), que nos oferece um Dry White 10 anos; um Ruby Reserve e um tawny 10 anos. Há mais quatro provas distintas: a Wood-Aged Port (10) inclui o Dry White 10 anos, um tawny de 10 anos e outro de 20 anos; a Precious Ruby (10) inclui um reserva, um LBV e um crusted; a dos vintages (30) de 1991, 1997 e 2007; a prova Douro Doc’s (15) dá a degustar um branco, um tinto e um Touriga Nacional Grande Reserva. Mas ainda há mais hipóteses. Dificilmente sairá insatisfeito.


 


Originalidade (máx. 2): 1


Atendimento (máx. 2): 2


Prova de vinhos (máx.4): 4


Venda directa (máx. 4): 4


Arquitectura (máx. 3): 1,5


Ligação à cultura (máx. 3): 2


Ambiente/ Paisagem (máx. 2): 1,5


 


Classificação: 16


 


Centro de Visitas Churchill’s


Rua da Fonte Nova, 5


4400-156 Vila Nova de Gaia


Tel: 223 703 641


Fax:223 703 642


Web:www.churchills-port.com


Email: marketing@churchills-port.com


GPS: 41º 13’ 83.91” N / 8º 62’ 18.38” O


 

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