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L’AND Vineyards - Observar o céu de copo na mão

L’AND Vineyards - Observar o céu de copo na mão

03 Janeiro, 2013 12:57 | Samuel Alemão e Foto de Ricardo Palma Veiga

O projecto que abriu, em 2011, como o “primeiro condomínio do vinho em Portugal” funciona também como resort. Rodeado por vinha, tem nos quartos com tecto de abrir e nas experiências gastronómicas os maiores trunfos. E já é reconhecido internacionalmente.

Lá em cima, no céu, observadas a partir de uma cama onde se enterra o corpo relaxado, as estrelas acompanham-nos na degustação de um vinho alentejano. Assemelhar-se-á a algo idílico em demasia, provavelmente. Mas é real. Nesta fase da evolução das experiências enoturísticas no nosso país, parece assistir-se à entrada numa nova fase, que podemos considerar de maturidade. Após uma década de consolidação de um conceito em relação ao qual tardávamos em descobrir méritos, os últimos dois anos têm sido pautados pela abertura de novos ou remodelados locais de superior qualidade. Neles, os enófilos podem desfrutar dos vinhos e da comida e, em simultâneo, gozar momentos de lazer associados à fruição da riqueza paisagística, ecológica e cultural. Tem sido como que uma espécie de separar de águas, entre os que se querem destacar por uma oferta de topo e os demais. Não surpreende, pois, que a exigência vá aumentando. Os investimentos feitos, mesmo em tempo de crise, tentam corresponder à subida do padrão qualitativo. Aberto no Verão de 2011, o L’AND Vineyards é disso exemplo. Auto-proclamado, aquando da sua apresentação em 2008, como o “primeiro condomínio do vinho em Portugal”, o empreendimento situado às portas de Montemor-o-Novo pode ser visto como mais uma prova do crescente sentimento de afecto da opinião pública pelo mundo enológico. O investimento turístico e residencial do grupo Sousa Cunhal privilegia a fruição das qualidades paisagísticas da mais popular região vitivinícola portuguesa, em simultâneo com uma oferta hoteleira e gastronómica de elevada qualidade. Em redor dos edifícios, a vinha dá o mote. Hotéis cuja inspiração principal é o vinho existem já alguns, em geral inseridos em ambientes de quinta. A novidade aqui reside na apresentação de uma proposta em que a essa fruição turística monotemática está ligada a um projecto imobiliário. E com a intenção de sobressair pela qualidade e singularidade da arquitectura, recorrendo a nomes consagrados – os portugueses João Carrilho da Graça e José Paulo dos Santos, a que se juntaram alguns estrangeiros, como Sergison Bates (Londres) e Peter Markli (Zurique), todos coordenados pelo ateliê Promontório, de Lisboa. Sob a batuta de Laureano Mas o coração do projecto é mesmo o vinho. Desde logo, foi decidido que os novos locatários do aldeamento poderiam participar na produção de vinhos resultantes da vindima da área que ia sendo plantada – existem 10,5 hectares, actualmente apenas metade em exploração -, fosse ela comum ou individual. E tendo até direito à criação de lotes de vinhos individualizados. Para o conseguirem, basta inscreverem-se no WineClub do empreendimento. Através dele, pretende-se fomentar a discussão e a aprendizagem enológica, concedendo diversas vantagens aos seus membros, para além de lhes assegurar o acesso a vinhos L’AND reserva com castas e rótulos personalizados. “Alguns proprietários têm lotes de vinha, outros querem fazer vinhos com castas por eles escolhidas, mas com o nosso aconselhamento. Nós fazemos acontecer tudo isso”, sintetiza Patrícia Ramos, 35 anos, directora de enologia. Ela trabalha sob a supervisão do bem conhecido Paulo Laureano, um dos mais importantes enólogos do país e um dos homens a quem o moderno Alentejo vitivinícola muito deve. No fundo, é a ele quem cabe responder pela qualidade da produção saída da pequena adega da L’AND Vineyards. Nela - cujo trabalho lá desenvolvido pode ser observado pelos visitantes, a partir do hall de entrada do hotel -, o maior desafio para a equipa enológica reside em operar com micro-cubas desenhadas de propósito para o local e conseguir dar respostas a necessidades de fermentação e loteamento tão diversas e em quantidades tão limitadas. A primeira vindima lá realizada aconteceu no ano passado. Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Touriga Franca, todas tintas, são as castas dominantes, existindo apenas uma muito pequena área com as brancas Verdelho e Arinto. Os responsáveis não pretendem plantar mais vinha, mas sim deixar singrar e trabalharem a que já têm - parte da qual ainda nem sequer cresceu o suficiente para com ela se contar na hora da vindima. “O caminho que queremos percorrer é o da diferença, fazendo vinhos de maior concentração, com um prefil elegante, mas que se notem que são alentejanos”, explica Patrícia Ramos. Provas, gastronomia e SPA São esses vinhos que podemos degustar, seja na condição de hóspede do resort de 22 suites, que faz parte da rede internacional Small Luxury Hotels, ou apenas na de visitante ocasional. Quem ali chegue nesta segunda condição terá direito, por 7,5? por pessoa, a uma visita guiada pelas vinhas e adega, durante a qual lhe é explicado tudo o que há para saber sobre a viticultura e os vinhos da casa, culminando o périplo com uma prova dos mesmos. Também abertos ao exterior estão o SPA Vinothérapie da Caudalie e o restaurante. Tutelado pelo chef Miguel Laffan, 33 anos, que diz ter como princípio o dar um toque pessoal aos sabores tradicionais da região e do país onde trabalha, cruzando-os com os da cozinha asiática, é uma bela surpresa. “É uma cozinha muito simples, de sabores genuínos e sofisticados e sem pretensões intelectuais”, garante. Isso traduz-se numa carta onde estão presentes pratos como “miga e salada de bacalhau com uma tomatada de mexilhão”, “lagostim e barriga de porco com caril de coentros tailandês em tempura de puntillitas” ou “lavagante assado numa caldeirada com citrinos e gengibre”. O serviço é atento e os vinhos são sugeridos pelo jovem escanção Michael Correia, 25. O vinho, em conjunto com a gastronomia, constitui uma das três áreas pelas quais o director do hotel, Diogo Gonçalves da Cunha, 30 anos, quer que ele se notabilize. As outras são “o design e a arquitectura” e as Sky View Suits. Este é o nome de uma dezena de aposentos com 120 metros quadrados, decoração cuidada e todas as comodidades habituais em hotéis de luxo – mais até, pois cada um conta com um iPad para uso dos hóspedes. A partir delas, é possível ver o jardim de vinha, a piscina panorâmica, o lago e, ao fundo, o castelo e a cidade de Montemor. Mas o que de mais surpreendente os olhos podem alcançar, e que explica o nome das suites, revela-se com a abertura integral do tecto do quarto sobre a cama. O céu. De dia, já sabe bem, mas à noite a experiência torna-se quase encantatória. O Alentejo é mesmo reconhecido como uma das melhores regiões do continente europeu para a observação do céu estrelado. Existe ainda um pátio exclusivo com uma “plunge pool” aquecida. Reconhecimento internacional As outras habitações do resort, as L’AND View suites, partilham com as anteriores quase todas as características, exceptuando a mirífica vista do céu. A qualidade do serviço e a oferta de experiências – como a possibilidade de ver exposições, fazer cursos e provas de vinho, ter aulas de cozinha com o chef Miguel Laffan, utilizar o SPA, dar passeios de bicicleta pela proprieadade ou ter visitas guiadas a Évora e Monsaraz – mantém-se. “Tentamos ligar tudo isto com um serviço de excelência”, garante o director do hotel. Não por acaso, as distinções têm-se acumulado. Sobretudo por parte de conceituadas revistas internacionais. O L’AND Vineyards foi distinguido pela Travel & Leisure como “um dos 52 melhores novos hotéis de 2012” e, na mesma categoria, pela Conde Naste, numa mais exclusiva lista de 35. Esta publicação incluiu-o também na listagem dos “melhores novos spas de 2012”. Dificilmente se poderia encontrar melhor. Mas, independentemente disso, as estrelas manter-se-ão a vogar, lá em cima. L’AND Vineyards Estrada Nacional 4 Herdade das Valadas Apartado 122 7050 – 031 Montemor-o-Novo Tel: 266 242 400 reservas@l-and.com info@l-andvineyards.com www.l-andvineyards.com GPS: N 38º 38’ 44” / O 8º 14’ 50” Além das visitas à adega e vinhas e provas convencionais, é ainda possível realizar um programa que inclui visita, curso e prova de seis vinhos, seguido de almoço de degustação preparado pelo chef Miguel Laffan. Classificação: Originalidade (máx. 2): 2 Atendimento (máx. 2): 2 Prova de vinhos (máx.4): 3 Venda directa (máx. 4): 3 Arquitectura (máx. 3): 3 Ligação à cultura (máx. 3): 3 Ambiente/ Paisagem (máx. 2): 2 Classificação: 18

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