Voltar

Um grande evento de promoção dos vinhos lusos

15 Maio, 2013 11:29 | António Falcão - Foto de Ricardo Palma Veiga

O Concurso Vinhos de Portugal já vai no seu terceiro dia e, pelas opiniões que ouvimos até agora, tudo está a correr bem. Não há dúvidas de que este é o grande concurso nacional e, ao mesmo tempo, uma boa montra do que são os vinhos portugueses.


Gunnar Törnquist leva o seu copo ao nariz, fecha os olhos e aspira os aromas que vem do vinho branco que lhe serviram. Dá mais uma olhada ao vinho, e leva o copo à boca, deixando que o néctar acaricie as suas papilas gustativas. O destino final deste branco, quiçá um Alvarinho, quiçá um Arinto, ou mais provavelmente um vinho de lote, é o reservatório que se encontra ao seu lado. Um comentário do seu vizinho português, enólogo de profissão, indica-lhe que será provavelmente um Alvarinho, mas não há certezas. O presidente desta mesa, Bento Amaral - chefe da Câmara de provadores do IVDP – mete-se na conversa e instala-se um pequeno diálogo em voz comedida.  


Gunnar usa de seguida o seu teclado e rato para fazer a entrada das suas classificações no sistema informático. Este jurado sueco é um dos provadores estrangeiro convidados para avaliar os vinhos portugueses no Concurso Vinhos de Portugal, neste momento a decorrer no enorme salão dos claustros do CNEMA, em Santarém. Com ela vieram provadores de muitos países diferentes, da Europa, América do Norte e do Sul e há mesmo um japonês. Para eles o concurso chama-se Wines of Portugal Challenge e dá-lhes a oportunidade de provar um bom conjunto de vinhos brancos, tintos, rosés, espumantes e generosos. No final da prova passarão pelo palato destes jurados estrangeiros e de mais umas dezenas de profissionais do vinho portugueses cerca de um milhar de vinhos. A organização pertence à ViniPortugal e a prova é dirigida tecnicamente por João Pires, o escanção e Master Sommelier português actualmente a trabalhar em Londres.


A organização colocou 7 mesas de prova com 8 provadores em cada, mais um presidente do júri, sempre um português.


Tudo está informatizado, tudo está em rede e não há papéis: dar as notas é apenas questão de cliques no rato e teclado. O backoffice do concurso e toda a logística foi assegurada pela dupla Carla Rosa e Mário Louro, que tiveram ainda de gerir uma equipa de 22 jovens que deram entrada e etiquetaram literalmente milhares de garrafas. Pelo que ouvimos, logisticamente a prova decorreu sem incidentes, a bom ritmo. Cada mesa provava cerca de 40 vinhos por dia. Em vez de colocar os provadores internacionais juntos, a organização decidiu espalhá-los pelas mesas todas. Assim, cada uma das seis mesas incluía pelo menos dois provadores estrangeiros, o que estimulava o diálogo e a aprendizagem.


Mais do que um provador indicou-nos que os jurados estrangeiros privilegiavam os vinhos de marcado carácter português e desvalorizavam vinhos de castas tipicamente estrangeiras, como Chardonnay, Sauvignon Blanc (brancas) ou Cabernet Sauvignon e Syrah (tintas). Gunnar  Törnquist referiu-nos isso dizendo que Portugal deveria apostar mais nas suas próprias castas, diferentes e únicas. É verdade que poucos enófilos as conhecem mas apostar nas castas mais badaladas é enfrentar a força de vendas de quase todo o novo mundo e ter que vender ‘areia no deserto’.


Nem só de provas vive o Wines of Portugal Challenge. Foram vários os eventos anexos a este concurso. A ViniPortugal aproveitou a presença dos líderes de opinião estrangeiros para realizar, em colaboração com o staff da Revista de Vinhos, três sessões Master Class sobre duas castas tipicamente portuguesas: Alvarinho e Touriga Nacional, e uma terceira dedicada a 4 décadas de grandes vinhos portugueses, 1963-2003.


O programa ficará completo com duas visitas: uma à Vidigueira, a três produtores, e outra à zona do Dão encostada à Serra da Estrela, também com visitas a produtores. Finalmente, é bom não descurar os jantares informais durante a semana, que acabaram por exercer também a sua influência nos convidados da ViniPortugal, especialmente na ligação dos vinhos lusos com a comida. Todos os jurados com quem falamos os referiram de forma elogiosa.


Quando chegar sexta-feira e os jurados finalmente regressarem aos seus lares, levarão certamente com eles uma opinião diferente do que são os vinhos portugueses. Mais do que um referiu-nos a tremenda mudança operada nos vinhos portugueses na última década. E isso é definitivamente um bom sinal.

Escrever novo comentário
0 Comentário(s)
Explore
© 2016 Revista de Vinhos
Todos os direitos reservados. Política de Privacidade
Media Capital Edições e Prisa Revistas

Ao navegar neste site, está a concordar com o uso de cookies. Mais informaçõesAceitar

Os cookies são importantes para o correto funcionamento de um site. Para melhorar a sua experiência, o site Revista de Vinhos utiliza cookies para lembrar detalhes de início de sessão, recolher estatísticas para optimizar a funcionalidade do site e apresentar conteúdo de acordo com os seus interesses. Caso clique em Aceitar ou se continuar a utilizar este site sem alterar as suas configurações de cookies, está a consentir com a utilização dos mesmos durante a sua navegação no nosso site.

Fechar