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Os “Melhores” de 1998

25 Junho, 2009 02:53 | Luís Ramos Lopes

Muitos dos notáveis de há doze anos, hoje em dia ou desapareceram ou o seu estatuto diminuiu consideravelmente

A Revista de Vinhos que o leitor tem nas mãos é a já habitual edição de Fevereiro, dedicada aos “Melhores do Ano”. Uma iniciativa que nasceu em 1998 e que aqui se manifesta pelo décimo segundo ano consecutivo. Doze anos não parece muito tempo, mas no mundo do vinho, em especial no caso português, traduzem-se em enormes mudanças a diversos níveis, mas sobretudo na notoriedade das marcas. A verdade é que, muitos dos vinhos que em 1997 estavam na lista de compras dos consumidores mais exigentes, hoje em dia ou desapareceram ou o seu estatuto diminuiu consideravelmente. Mas também outras marcas se mantiveram inabaláveis, com uma consistência qualitativa notável, resistindo estoicamente à erosão do tempo e ao aumento exponencial da concorrência.
Quinta de S. Cláudio, nos Vinhos Verdes; Villar da Galeira, Confradeiro, Quinta do Côtto Grande Escolha e Quinta das Castas, no Douro; Somontes, Fonte do Ouro e Quinta da Bica, no Dão; Sidónio de Sousa, Marquês de Marialva, Casa de Saima e Caves de São João, na Bairrada; Quinta de Pancas e Palha Canas, na Estremadura; Quinta Grande, no Ribatejo; Garrafeira TE, Garrafeira RA, Primum (todos de José Maria da Fonseca) e Pegos Claros, na Península de Setúbal; D’Avillez Garrafeira, Garrafeira dos Sócios (da Coop. de Reguengos), Portalegre e Tapada do Chaves, no Alentejo, são exemplos de marcas que já tiveram outro estatuto no mercado nacional. Algumas delas, extinguiram-se mesmo, entretanto. E porém, em 1997, todas lançaram vinhos destacados pela sua qualidade e muitas delas eram avidamente procuradas pelos apreciadores.
Mas entre os vinhos que premiámos há doze anos, estão também marcas hoje em dia ainda incontornáveis. Que vinhos eram esses? Ficam alguns exemplos: nos Vinhos Verdes, Soalheiro Alvarinho 1996 e Portal do Fidalgo Alvarinho 1996; no Douro, Duas Quintas Reserva tinto 1992 e Quinta da Gaivosa tinto 1995; no Dão, Quinta da Pellada tinto 1996 e Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional tinto 1995;na Bairrada, Luís Pato Vinha Pan 1995, Quinta de Baixo Garrafeira tinto 1991 e Quinta das Bágeiras Reserva tinto 1995; nas Beiras, Foz de Arouce tinto 1993; no Ribatejo, Lagoalva de Cima Syrah 1994 e Casa Cadaval Trincadeira Preta 1995; na Península de Setúbal, Fontanário de Pegões tinto 1994; no Alentejo, Pêra-Manca tinto 1991, Esporão branco 1995 e Trincadeira 1995, e Quinta do Mouro tinto 1994; nos espumantes, Murganheira Gouveio Real 1995, Vértice Super Reserva 1994, Luís Pato 1992 e Quinta das Bágeiras Super Reserva 1994. Muitos destes vinhos, provados hoje, ainda nos impressionam grandemente.
Se pensarmos nas marcas que actualmente estão no topo e que não se encontram nesta lista, percebemos melhor o quanto tudo isto mudou. Curiosamente (ou talvez não) as mudanças não foram uniformes: em algumas regiões a hierarquia das marcas alterou-se muito mais do que noutras. Douro e Alentejo são as regiões que mais se transformaram neste aspecto. No pólo contrário estão, sem surpresas, os generosos: Moscatel de Setúbal (dos quatro vinhos premiados, três eram de José Maria da Fonseca e um de JP Vinhos/Bacalhôa), Madeira (Barbeito e Cossart’s em destaque) e, sobretudo, o Vinho do Porto. Eis alguns dos Porto galardoados na primeira edição dos “Melhores do Ano”: Quinta do Vesúvio Vintage 1995, Barros Tawny 20 anos, Dow’s Vintage 1980, Offley Boa Vista Vintage 1983, Graham’s Malvedos Vintage 1984, Fonseca Vintage 1985 e Warre Cavadinha Vintage 1984.
Um último dado comparativo. Entre 1997 e 2008, o número de vinhos premiados como “Boas Compras”, ou seja, com boa relação qualidade-preço, multiplicou-se por 10. Ou seja, é muitíssimo mais fácil comprar vinho bom e barato hoje do que naquela época. Também por isso, nada de saudosismos
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