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Aliança, nova imagem e novos vinhos

Aliança, nova imagem e novos vinhos

04 Fevereiro, 2009 06:44 | João Afonso

Foi na ilha da Madeira que a Aliança revelou a perda do prefixo “Caves”. A acompanhar a nova imagem também a nova atitude de uma empresa que agora faz parte do grupo vitivinícola que inclui, entre outras a Bacalhôa e a Quinta do Carmo.

A palavra “Caves” estava fora de moda. Adiantou logo no início da apresentação o seu gestor Eduardo Medeiros. Pertença de um passado ainda recente, retirava à Aliança o cunho modernista necessário à reformulação de uma empresa que se pretende a servir o mundo com vinhos de Portugal. Por isso, de Caves Aliança a empresa passa a chamar-se “Aliança Vinhos de Portugal” e com a mudança de nome também toda uma mudança de logística interina que visa a optimização dos recursos técnicos e financeiros do grupo vinícola de Joe Berardo. Presente em quatro regiões vitivinícolas, o novo logótipo salienta o vasto âmbito empresarial: Douro, Dão, Bairrada e Alentejo, são espaços vitícolas onde a Aliança Vinhos de Portugal colhe os seus frutos e desenvolve os seus produtos.
Os rótulos Aliança ganharam também outra imagem que pretende acompanhar as mudanças rumo à modernidade estética, com design atraente de feição sóbria, clássica e pronta a enfrentar a galopante globalização.

Dois topos de gama
Na ilha da Madeira, “terra mãe” do “patrão” Joe Berardo, e fazendo uso do património insular do comendador, a Aliança chamou a imprensa do continente para dar conta dos novos lançamentos de duas das suas marcas mais emblemáticas: Quinta dos Quatro Ventos Reserva – com a colheita de 2006 – e Quinta da Garrida Touriga Nacional – com a colheita de 2005.
A acompanhar o lançamento, uma prova vertical das marcas que revelou tintos de excelente saúde e com uma capacidade de evolução concreta e atraente que representa inequivocamente uma manifesta mais valia para estes produtos.
O Quinta dos Quatro Ventos Reserva 2006 é apenas a terceira edição. O primeiro lançamento foi em 2001, seguiu-se o 2002 e depois o hiato de 3 colheitas (2003/4/5). Tal não se deveu à falta de qualidade de vinhos para incorporar a marca mas sim à existência de stocks dos anos 2001 e 2002 que não justificavam novas edições. Agora com os stocks esgotados é lançado o Reserva 2006 que, ainda que novamente num ano “off”, ou seja, sem grandes virtudes reconhecidas, se mostra a um bom nível.
Já o Quinta da Garrida Touriga Nacional 2005 é um dos vinhos que mais brado tem dado nos últimos tempos. Ganhador recorrente de prémios e medalhas, sai agora a público. Garboso e musculado tem também um preço mais dilatado que os seus antecessores, justificado por ser, sem duvida, um dos varietais de Touriga Nacional mais excitantes do momento.


Os vinhos da Quinta da Garrida (Dão) e da Quinta dos Quatro Ventos (Douro)



Quinta da Garrida Dão Touriga Nacional tinto 2001

Um tinto bonito e com uma evolução perfeita. Muito ao estilo bordalês, fruto elegante, leve fumado e especiaria, nenhum excesso aromático e tudo muito casado. Na boca é veludo, complexo, com taninos finos e muito frescura no ponto para beber até à última gota.

17


Quinta da Garrida Dão Touriga Nacional tinto 2003

Um tinto com algum poder e concentração. Fruto preto bem maduro, compota, leve cacau e flores secas, tosta e leve toque químico. Na boca mostra boa amplitude e volume de prova, austero e seguro com taninos ainda jovens num corpo musculado, textura suave, e final longo a pedir mais algum tempo de garrafa para ganhar mais umas décimas de elegância e complexidade.

17


Quinta da Garrida Dão Touriga Nacional tinto 2004

O mais quente do Garrida. Fruto maduro e em compota, alicorados, discreto toque floral, fumados e confeitos. Na boca é um tinto que mostra mais calor que frescura, fruto maduro, leves tostados e pastelaria e final morno.

16,5


Quinta da Garrida Dão Touriga Nacional tinto 2005

De longe o mais corpulento e concentrado de todos os Garrida. Aqui as notas florais de Touriga Nacional abrem o aroma seguido de chocolate negro, algum químico a dar o toque de austeridade e poder. Na boca é um tinto avantajado, com excelentes taninos, muito fruto, rico e complexo, ainda alguma reverência de juventude. Um tinto que vai crescer muito em garrafa.

17,5


Quinta dos Quatro Ventos Douro Reserva tinto 2001

Um belo Douro. Idóneo, perfumado, atraente no seu aroma de fruto elegante, confeitos tostados e algum tabaco. Na boca é acetinado, encorpado, fresco e cheio de graça e equilíbrio. Um tinto num excelente momento de forma.

17


Quinta dos Quatro Ventos Douro Reserva tinto 2002

Talvez numa fase menos boa, este Douro mostra-se algo envergonhado no fruto em passa com dominância fenólica de vegetal seco e notas químicas. Poderoso na prova de boca, muito bons taninos a mostrarem vida pela frente, austero e muito firme é um tinto em fase de metamorfose e poderá reconquistar exuberância mais tarde.

17


Quinta dos Quatro Ventos Douro Reserva tinto 2006

Um tinto que mostra as características da colheita. Todo em madurez, licorados, amora e figo, alguma resina. Taninos fortes e doces a forrarem a boca, muito corpo, algum calor alcoólico, e um longo e calórico final a pedir mais tempo de garrafa para harmonizar a corpulência.

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