Alfrocheiro

A grande esperança ribatejana e alentejana

 
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{ Aromas de bagas silvestres, com destaque para a amora e o morango selvagem maduro }

 

A fraca variabilidade genética insinua que a casta será de génese recente, ou pelo menos de manifestação recente em Portugal. Não se lhe conhece parentesco estrangeiro ou origens nacionais, apesar de em tempos ter sido conhecida pela designação “Tinta Francesa de Viseu”. No início do século XX, o nome Alfrocheiro esteve acautelado para uma casta branca do Dão, mas que hoje responde pelo nome de Douradinha. No Dão encontrou o seu território natural, mesmo se não necessariamente o mais apropriado. Hoje, assistimos a uma crescente e recente popularidade da casta, num movimento quase imparável de migração para Sul, sobretudo para paragens alentejanas e ribatejanas. O movimento é natural e desejável.

Não nos cansamos de proclamar a casta Alfrocheiro como a grande esperança ribatejana e alentejana. Como a casta mais natural e cobiçável nas grandes planícies quentes do Sul. Preterir a casta Alfrocheiro a favor de castas estrangeiras é um contra-senso imperdoável.

É uma casta fértil e fecunda. Produz vinhos ricos em cor, com um notável equilíbrio entre álcool, taninos e acidez. E é essa incrível capacidade para reter uma acidez natural elevada, aliada à excelente presença de açúcares, que a torna tão oportuna nas terras do Sul. Alguns produtores já a descobriram...

A forte concentração de matéria corante deu azo a que a casta seja amiúde apelidada de Alfrocheiro Preto. Infelizmente é também atreita a doenças, mormente o oídio, podridão cinzenta e escariose, o que poderá ajudar a explicar a sua baixa popularidade no Dão natal. Aromaticamente sobressaem os aromas de bagas silvestres, com destaque particular para a amora e o morango selvagem bem maduro. Por regra, dá azo a vinhos de taninos firmes mas delicados, taninos finos e estruturantes. Nem sempre tem capacidade para brilhar a solo, nem sempre funciona bem sozinha, mas é um apoio fundamental e decisivo em muitos lotes.

 

Quer experimentar?

São poucos os vinhos que confiam a exclusividade do engarrafamento à casta Alfrocheiro. Mas os dois exemplos aqui retratados, os dois modelos propostos, exemplificam na perfeição a bondade da casta, as suas virtudes e limitações. Primeiro, o Quinta dos Roques Alfrocheiro, um vinho do Dão, do Dão natal da casta. Em segundo, o Quinta da Lagoalva Alfrocheiro, por ora o exemplo supremo das virtudes da casta.

- Quinta do Roques Alfrocheiro 2005

- Quinta da Lagoalva Alfrocheiro Preto 2005

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