ALVARINHOS, DA TROPICALIDADE AO GRANITO

 
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Nuno Guedes Vaz Pires

Nuno Guedes Vaz Pires

É comum dizer-se que a casta Alvarinho é a grande variedade branca da Península Ibérica. Se o Albariño da Galiza é mundialmente reconhecido, o Alvarinho minhoto há muito conquistou os portugueses, a ponto de surgir em várias cartas de vinhos e ser mencionado à boca cheia por consumidores como uma classe à
parte. Há os vinhos brancos… e há os Alvarinhos.

Na abençoada sub-região de Monção e Melgaço, onde encontra o berço, o Alvarinho expressa-me de modo único. Combina a tropicalidade aromática com uma sensação de frescura granítica única. Os melhores exemplares têm acidez e profundidade, que lhes permite não só evoluir corretamente como harmonizar com um espetro gastronómico abrangente.

O perfil altera-se substancialmente noutras zonas e regiões do país. Os Alvarinhos da região dos Vinhos Verdes têm um perfil fresco mas poucos alcançam a finura e a pureza dos da sub-região. De outras paragens podemos antecipar Alvarinhos com tropicalidade acentuada, mais polpa de fruta branca, um perfil mais cremoso mas igualmente gastronómico.

A seguir, uma mão cheia de dicas para potenciar o prazer de um Alvarinho:

1

Aromaticamente, o Alvarinho é das castas brancas mais expressivas, remetendo-nos muitas vezes para a esfera dos frutos tropicais. Os exemplares mais simples podem ser por isso excelentes opções para acompanhar momentos descontraídos, entradas de refeição ou refeições de índole mais ligeira – saladas, alguns mariscos e peixes com pouco gordura.

2

Os Alvarinhos mais complexos – marcados por notas de pedra granítica molhada, profundidade de sabor mais acentuada, acidez bem conseguida que ajuda ao envelhecimento e equilibra a exuberância da fruta – posicionam-se entre os melhores brancos de Portugal. Não tenha receio em emparelhá-los com peixes gordos, com queijos e fumeiro, até mesmo com carnes vermelhas.

3

Os grandes Alvarinhos são brancos sem prazo de validade definido. Exemplares há que permanecem bem vivos para lá de uma década. Devidamente acondicionados, alguns desses vinhos vão surpreendê-lo bastante pela positiva. Sem preconceitos, deixe-os envelhecer para percecionar melhor um
dourado incrível no copo.

4

 

Se aprecia Alvarinhos no estado mais “puro” procure exemplares com estágio em garrafa. Se prefere mais complexidade e um estilo diferente, experimente o número crescente de Alvarinhos com passagem por madeira. Um casamento exigente, com alguns segredos para dar certo. Em lote, o dueto Alvarinho/Trajadura é um caso de sucesso.

5

Fique atento aos espumantes de Alvarinho. A oferta tem aumentado para alegria de muitos. Em lotes com outras castas ou a brilhar a solo, têm um patamar qualitativo muito apreciável. Os melhores também surpreendem após algum descanso em cave.

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