Garnacha

A falsa casta francesa

 
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{ Aromas a pimenta branca, framboesa, ervas aromáticas e cereja }

 

Apesar de a casta ser mais conhecida pelo nome que adotou na França, Grenache, é de origem espanhola, sendo por isso mais correto usar a denominação original, Garnacha. É uma casta antiga e relativamente instável, particularidades que conduziram a diversas alterações genéticas e que ajudam a explicar que existam igualmente versões brancas e rosadas da variedade. Para além de Grenache, o nome mais popular internacionalmente para a casta, a Garnacha é ainda popular enquanto Cannonau, na Sardenha, Tocai Rosso, no Veneto, Itália, Roussillon no Var, França (nome da primeira região francesa onde a casta foi introduzida), Aragones, em Madrid (não confundir com o Aragonez português)… e Abundante, em Portugal.

A origem da variedade é tão misteriosa que até mesmo a origem espanhola tem sido contestada, confrontada com relatos históricos que poderiam situar o berço na ilha italiana da Sardenha, colónia espanhola desde o século XV até ao século XVIII, sob o nome Cannonau, região onde continua a ser a casta dominante e onde existem registos escritos desde pelo menos o início do século XVI. Embora não existam certezas absolutas sobre a veracidade científica da afirmação considera-se que a Garnacha poderá ser um dos progenitores da variedade Mencía, conhecida como Jaen, no Dão.

As características naturais, sobretudo a resistência a condições de seca e a elevada tolerância com climas quentes, fazem com que seja uma das variedades mais plantadas no planeta. Apesar dessa circunstância, raramente encontramos referência ao seu nome, seja como Garnacha ou como Grenache, nos rótulos ou contrarrótulos de vinhos franceses, espanhóis, italianos ou de outros países, onde é popular. Uma das razões para o fenómeno, para além da falta de “pedigree” social no nome, assenta na utilização frequente em lote, misturada com outras castas, sem direito a brilho próprio. Na Austrália deu lugar a um lote extremamente popular, frequentemente identificado como GSM, sigla que assinala um lote entre as castas Grenache, Syrah e Mourvèdre.

É uma casta perfeitamente adaptada a climas quentes, de ciclo muito longo, de abrolhamento precoce e maturação muito tardia, proporcionando vinhos de elevado potencial alcoólico e níveis de acidez frequentemente baixos. Como tal necessita invariavelmente do apoio de outras castas, que acrescentam a tão necessária frescura para avivar o lote final. Curiosamente dá os melhores resultados quando conduzida em arbusto, em sistema de vaso, sem arames de suporte.

 

Quer experimentar?

 

Não é fácil encontrar a casta Garnacha em Portugal. Na verdade, a casta raramente se encontra referenciada em Portugal exceto em exemplos pontuais como, na Adega das Mouras ou nas vinhas do projeto pessoal de Rui Reguinga, nomeadamente das vinhas ribatejanas, onde se encontra a par do Syrah e Mourvèdre. Poderá ainda encontrar a Garnacha em alguns dos vinhos australianos que se encontram à venda nas poucas garrafeiras portuguesas que dispõem de vinhos estrangeiros, quase sempre dentro de um dos vinhos que resumem o lote GSM. 

- Tributo (Rui Reguinga)

 

 

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