O Douro Superior a perder de vista

Fotografia: Daniel Luciano
Partilhar
Luís Costa

Luís Costa

Fica em terras da Meda, entre a histórica cidade beirã e as termas de Longroiva, esta Quinta Vale d’Aldeia que se espraia num horizonte a perder de vista graças aos seus 200 hectares de área total. Tudo começou em 2004, com a aquisição dos primeiros terrenos, para se consolidar em 2009, com a construção de uma moderníssima e funcional adega. Um projeto vitivinícola do Douro Superior capaz de vinificar um milhão de litros por ano.

 

Em terras da Meda, entre a cidade beirã e as termas de Longroiva, em pleno Douro Superior, a Quinta Vale d’Aldeia espraia-se num horizonte a perder de vista com os seus 200 hectares de área total. Desta imensidão de terras que dava para fazer duas centenas de campos de futebol, mais de metade são vinhedos – cerca de 110 hectares plantados numa altitude que varia entre 450 a 680 metros, com as castas distribuídas segundo o tipo de maturação pretendida. “O nosso objetivo é fazer vinhos de qualidade com algum volume”, explica-nos José Conceição – de seu nome completo José Eduardo Reverendo Conceição –, o enólogo que é o motor deste projeto dos irmãos José e João Amado, empresários da Meda ligados ao setor da construção que compraram os primeiros terrenos da Quinta Vale d’Aldeia no ano de 2004, assim dando início a um projeto vitivinícola que hoje em dia já tem capacidade própria instalada para vinificar um milhão de litros por ano.


Nesta casa de vinhos intensos e gastronómicos muito vocacionados para a restauração e para as garrafeiras, há castas para todos os gostos – Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Tinta Amarela e Sousão nos tintos e Viosinho, Rabigato, Gouveio, Alvarinho e Verdelho da Madeira nos brancos –, o que faz a alegria do enólogo, naturalmente, o que nos é confirmado pelo próprio José Conceição, que sucedeu nas suas atuais funções a João Brito e Cunha, já lá vão cinco anos: “A Quinta Vale d’Aldeia é daqueles projetos que nos motivam todos os dias, pois dispomos de todas as condições para desenvolver o nosso trabalho. Temos uma gama variada de vinhos com diferentes perfis para atingir o maior número possível de consumidores, um portefólio com 27 referências entre tintos, brancos, vinhos do Porto, espumantes, colheita tardia [em bom rigor um “passito”, pois é feito com uvas desidratadas] e até um rum da Madeira – um rum agrícola feito diretamente da cana-de-açúcar que estagia três anos em cascos de Vinho do Porto. A quinta está muito vocacionada para a exportação. Cada mercado é um mercado. O mercado chinês é diferente do mercado brasileiro. E daí a grande diversidade de vinhos que temos na quinta para que possamos ter o maior sucesso possível na exportação”.


Homem do Douro, de Santa Marta de Penaguião, licenciado em Enologia pela UTAD, José Reverendo Conceição passou pela Real Companhia Velha e pelo grupo Symington, e ajudou a construir o sucesso da Quinta da Sequeira antes de abraçar este projeto da Quinta Vale d’Aldeia, onde dispõe de uma adega imponente. Construída de raiz em 2009, com diversos pisos, a adega está dotada das mais avançadas tecnologias de produção e está exemplarmente integrada na paisagem, rodeada por diversas amendoeiras. Lá dentro, para além de uma sala com 140 barricas de 400 litros, há lagares e cubas de inox que permitem vinificações desde 1500 litros a 50 mil, o que deixa feliz José Reverendo Conceição, uma vez mais: “Ter esta diversidade de cubas é muito importante, porque permite-me ter uma maior liberdade quando estou a vinificar e a fazer os lotes. Porque há lotes que fazemos em menor quantidade, como é o caso do Grande Reserva, mas há outros que fazemos em maiores quantidades, que são os nossos vinhos de entrada de gama”.

A importância da água… em terra de vinhos


Uma componente muito importante da Quinta Vale d’Aldeia é o enoturismo, uma vez que os irmãos José e João Amado têm as concessões das termas do Cró, em Rapoula do Côa, no concelho de Sabugal, e do complexo termal de Longroiva, paredes meias com a Quinta Vale d’Aldeia, umas termas que estavam abandonadas e em ruínas e que os dois irmãos recuperaram integralmente, funcionando hoje como polo essencial do seu projeto vitivinícola. Pode mesmo dizer-se que o Hotel de Longroiva – que ocupa o antigo edifício termal e foi reabilitado segundo desenho do arquiteto Luís Rebelo de Andrade – é a sala de visitas ideal da Quinta Vale d’Aldeia, como sublinha José Conceição: “Queremos potenciar ainda mais essa simbiose e desenvolver a aposta no enoturismo”. E fazem bem, porque esta unidade hoteleira com cerca de dois anos é encantadora com os seus 44 quartos, restaurante, diversos “bungalows” e, sobretudo, uma piscina de águas sulfurosas ao ar livre fantástica que proporciona banhos retemperadoras mesmo em pleno inverno. Diga-se a propósito que as águas medicinais de Longroiva têm utilização milenar e reconhecimento oficial desde o século XVIII e estão vocacionadas para o tratamento e prevenção de problemas músculo-esqueléticos, reumáticos, respiratórios e dermatológicos.


Refira-se, por fim, que o azeite é outra das apostas da Quinta Vale d’Aldeia, consequência natural dos 40 hectares de olival que ali existem e das características potenciais dos azeites da região, muito apreciadas nos mercados mais exigentes – azeites de baixa acidez, picantes e especiados.

Trabalho originalmente publicado na edição nº 341 da Revista de Vinhos (Abril de 2018).

Partilhar
Voltar