Os caminhos distintos da Quinta da Aveleda

 
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Luís Costa

Luís Costa

No momento em que estamos a chegar à Quinta da Aveleda, a meio caminho entre Paredes e Penafiel, ainda manhã cedo, chega também um autocarro cheio de turistas de diferentes nacionalidades. E não é por acaso: a Quinta de Aveleda é belíssima, tem vinhos interessantes, é servida por bons acessos, fica a poucos minutos da cidade do Porto e está a tirar partido – como nos contaria mais tarde António Guedes, jovem administrador da empresa da família – do recente “boom” turístico da segunda cidade portuguesa: “É, de facto, um negócio que tem vindo a crescer muito significativamente nos últimos anos”. E a Aveleda está preparada para isso, como pode ver-se à vista desarmada, graças sobretudo a um paraíso verde tão deslumbrante quanto bem cuidado. Um autêntico mimo.


Por isso – mas sobretudo pelos outros vinhos que já se fazem hoje na Quinta da Aveleda – é redutor continuar a pensar na incomparável quinta da sub-região do Sousa apenas como o berço do Casal Garcia, por muito importante que sejam os milhões de garrafas vendidas anualmente deste “blend” efervescente de Trajadura, LoureiroArinto e Azal.

Reflexões à parte, o que nos leva à emblemática quinta de Penafiel é a demanda por novos caminhos que o produtor se propõe trilhar. Quanto a isso, António Guedes assume que “a Gama Follies [anterior tentativa de reposicionamento da gama Aveleda] não correu como planeado, pelo que em 2010 e 2011, respetivamente, iniciámos um novo projeto das nossas marcas, em que decidimos alocar os chamados Vinhos Verdes à gama Casal Garcia e os vinhos brancos à gama Aveleda”. “São duas marcas muito fortes mas não podemos colocá-las no mesmo território”, admite António Guedes, que se mostra feliz por serem marcas que, apesar de tudo, “se complementam muito bem, que têm mais força juntas do que separadas”.

Na prova que fizemos na Quinta da Aveleda – à qual se juntou Martim Guedes, o outro administrador, e o enólogo Manuel Soares – tivemos oportunidade de constatar o caminho sólido que está a ser percorrido no paraíso verde da Aveleda, uma quinta cuja origem remonta ao século XV, época dos primeiros registos da propriedade. “As atuais fronteiras norte da quinta, a parte virada ao rio Souza, coincidem com as fronteiras definidas nos seus primórdios. A parte sul cresceu, sobretudo no tempo da minha bisavó, mas a parte norte está assim há mais de 500 anos”, conta-nos António Guedes num passeio pela quinta em que o tivemos o privilégio de o ter como cicerone.

Para além dos vinhos, na Aveleda respira-se história, com destaque para a janela onde, segundo a tradição, D. João IV terá sido aclamado Rei de Portugal e que foi, mais tarde, oferecida a Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca, que a transportou para os jardins da quinta. E respiram-se novos ares, insuflados por uma equipa de jovens administradores e jovens enólogos. Os vinhos que ali provámos já são disso um bom augúrio.

 

17
Aveleda Reserva Família Alvarinho 2015
Vinhos Verdes / Branco / Aveleda

Amarelo com laivos dourados. Nariz em que se percebe logo a presença da madeira, mas na justa medida, sem ocultar os aromas de fruta de árvore, sobretudo maçã Golden e pera rocha em fundo de flores brancas. Boca ampla com forte presença de citrinos, ananás e fruta de caroço. Vinho com estrutura e bela acidez. Gastronómico. Francamente bom.

11,00€

 

15,5
Aveleda 2016
Vinho Verde / Branco / Aveleda
4,50€

 

16
Aveleda Loureiro 2016
Vinho Verde / Branco / Aveleda
4,50€
 


16,5
Aveleda Alvarinho 2016
Vinho Verde / Branco / Aveleda
5,00€

 

(Este texto faz parte da grande reportagem "A revolução silenciosa dos Vinhos Verdes", publicada originalmente na edição nº 333 da Revista de Vinhos)

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