Javier Olleros na terceira Estrela do Oficina

Fotografia: Daniel Luciano
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Marc Barros

Marc Barros

O terceiro de quatro jantares do evento Estrelas da Galiza, que visa celebrar o segundo ano do restaurante portuense Oficina, decorreu sob a batuta do chefe Javier Olleros, do restaurante Culler de Pau.

 

À beira de celebrar uma década de existência (tendo sido desde logo nomeado Restaurante Revelação no Madrid Fusión 2010) e depois de conquistar a ambicionada estrela Michelin, este restaurante localizado em Reboredo, próximo do Grove, localidade piscatória na ria de Arousa, Pontevedra, faz valer os principais argumentos gastronómicos galegos, como salienta Javier Olleros: “O mar e o pescado, mas também os produtos da terra, as hortaliças, as carnes e os vinhos da Galiza”. Tudo num conceito de grande proximidade, vanguardista e contemporâneo. O próprio restaurante é um edifício moderno e minimalista, que combina os tons brancos, madeira e vidro, com enormes janelas que se abrem para a Ria de Arousa, as ilhotas de Noro e Vionta, Ribeira e a Serra de Barbanza.

Nascido em Lucerna, Suíça, em 1974, filho de um cozinheiro radicado naquele país e que mais tarde abriu, no Grove, o hotel Mar Atlantico, Javier Olleros é mais um ‘produto’ da Escola de Hotelaria de Santiago de Compostela, tendo mais tarde passado por locais como Casa Solla, La Broche (Madrid), Martín Berasategui (Lasarte), Ryu Gin (Tóquio) ou Bica do Sapato (Lisboa).
O resultado é uma cozinha de raízes galegas, mas com influências de todas as cozinhas por onde passou. No Oficina, brindou os presentes com pratos como Cogumelo com Beterraba confitada; Vieira de Cambados com cenoura em escabeche e nabo; uma curiosíssima interpretação de Caldo Verde; Pescada com molho cítrico e brasicas; um Guisado de tendão de Cachena de inspiração nipónica e; para terminar, a sua interpretação da famosíssima Torta Santiago.

Pepe Vieira será o próximo (e último) chefe que se segue neste ambicioso e bem-sucedido programa, no dia 12 de dezembro. O restaurante, impulsionado pelo galerista Fernando Santos e liderado pelo chefe Marco Gomes, pretende ser um projeto cultural que junta duas áreas onde a criatividade é figura central: arte e gastronomia. Instalado numa antiga oficina de automóveis, cujas reminiscências ainda se fazem sentir no interior do espaço, projetado por Paulo Lobo, o Oficina pretende marcar a dinâmica do chamado Bairro da Artes, no Porto, com iniciativas transversais, como este Estrelas da Galiza no Oficina. Para o próximo ano estão já previstas novas iniciativas, que deixaram já a sua marca no panorama gastro-cultural da Invicta.

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