De norte a sul: calor extremo provoca ‘escaldão’ nas uvas

Fotografia: Fotos D.R.
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Redação

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Depois dos episódios persistentes de míldio das últimas semanas, favorecidos por um tempo instável, as temperaturas extraordinariamente altas foram responsáveis por escaldões nos cachos em várias regiões do país.

 

A Comissão Vitivinícola da Região (CVR) de Lisboa, pela voz do seu presidente, Bernardo Gouvêa, comunicava ontem que as temperaturas excecionalmente altas dos últimos dias tinham resultado em estragos naquela região. Em particular durante o fim de semana, alguns produtores viram a sua produção perdida na totalidade.

Em comunicado, Bernardo Gouvêa fez saber que estima perdas entre 15 a 20% mas que esse facto não acarreta perdas de qualidade. “Acreditamos que esta situação afetará essencialmente a quantidade, mantendo-nos por outro lado absolutamente convictos de que o ano será de elevadíssima qualidade em toda a região.

Prejuízos também nos Verdes

O último sábado ficará certamente na memória de vários viticultores e quem trabalha na região dos Vinhos Verdes não é exceção. Em número, até ontem, eram 24 os que tinham sofrido prejuízos causados pelo excesso de calor. Contas feitas pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV).

Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV, explicava à LUSA o fenómeno: “Na semana passada, mas sobretudo no sábado, tendo em conta as elevadas temperaturas, deu-se um fenómeno chamado de ‘escaldão’, ou seja, demasiado sol a incidir sobre as uvas, desidratando-as e reduzindo a produção”.

No caso dos produtores da área de trabalho da CVRVV, e apesar dos estragos, existe um seguro, o maior do tipo agrícola do país, que desde 1997 cobre a produção de todos os agricultores da Região dos Vinhos Verdes. Neste ‘guarda-chuva’ cabem fenómenos naturais como a queda de granizo, chuva, neve, incêndio, escaldão, tromba de água ou tornado. Trata-se de um investimento sem custo para os produtores e que é suportado entre a CVRVV e a UE, num valor que ascende aos 150 mil euros.

Vinhas novas no Douro afetadas

A produção de vinho no Douro deverá assemelhar-se em quantidade à do ano de 2016. Os ataques de míldio, que ainda continuam, e agora os fenómenos de ‘escaldão’ nas uvas deverão contribuir para as cerca de 211 mil pipas de vinho que se esperam para esta campanha agrícola.

“Houve associados que já declararam escaldão, que afetou sobretudo vinhas mais novas, mais expostas e algumas castas menos resistentes”, afirmou à LUSA Rosa Amador, diretora-geral da Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID).

Recorde-se, a este propósito, que a previsão do potencial de colheita à floração era entre 254 mil e 273 mil pipas. Ora, este valor foi sendo revisto à medida que os prejuízos se foram acumulando: a pressão do míldio e de outras doenças, as condições climatéricas atípicas e, agora, o ‘escaldão’, que fez secar cachos.

Por fim, no Alentejo, que previa um aumento de 15% para a vindima deste ano, poderá ter de rever também o valor esperado. A onda de calor teve efeitos numa das regiões tradicionalmente mais quentes e mais sujeitas a estes fenómenos extremos de calor.

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