Luís Sottomayor

Fotografia: Ricardo Garrido
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Célia Lourenço

Célia Lourenço

Acompanhámos Luís Sottomayor num passeio pelo Douro naqueles que não sabíamos serem os últimos dias de vida de Fernando Guedes (falecido a 20 de Junho). O decano foi várias vezes evocado por ser natural associar o seu nome aos sítios, aos vinhos, às vinhas. E falo na primeira pessoa. Também nós, naqueles dias, descobríamos o “Douro do Sr. Fernando Guedes”. Com respeito e carinho.

 

Apesar da escala, a Sogrape continua a ser uma empresa familiar e, para o nosso anfitrião, a grande diferença reside no facto de ser uma empresa com um rosto - impossível não recorrer à imagem do sorriso rasgado de Fernando Guedes quando ouvimos isto. Também o enólogo, apesar da geração de Salvador, Manuel e Fernando (filho), constituir atualmente a administração da empresa e também os referir, personifica imediatamente o “rosto” de que fala… Fernando Guedes (1930-2018) continuava a interessar-se, a querer acompanhar as vindimas, a motivar e a inspirar todos. Por ambos serem enólogos e Luís ser responsável por vinhos que lhe diziam tanto, mantinha uma proximidade que se percebia especial. Com um copo de Mateus na mão, Luís Sottomayor brindou: “ao Sr. Fernando Guedes!”. Luís Sottomayor é responsável pela produção de Vinho do Porto e vinhos do Douro da Sogrape, com as suas cinco adegas e mais de 500 ha de vinha distribuídos pelo Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior. Estivemos nas emblemáticas adegas do Seixo e da Lêda - a primeira, a base dos Vinhos do Porto, a segunda, a que vê nascer o icónico Barca Velha, vértice de uma pirâmide que se estende às diversas referências da Casa Ferreirinha, com uma vinificação que chega aos dois milhões de garrafas por ano.

A história de Luís Sottomayor na Sogrape começa em Julho de 1989 quando, jovem licenciado em Dijon, é convidado para um estágio. Essa foi a primeira das já mais de 30 vindimas no Douro Superior. Luís recorda que foram tempos únicos. Fernando Nicolau de Almeida ainda fazia parte da equipa, embora reformado, continuando a ser uma figura incontornável com quem Luís aprendeu muito em termos de prova. Apesar de já não ter convivido diariamente, não faltava quando se tratava do (seu) Barca Velha e o seu humor muito particular é lembrado com especial alegria. Dessa equipa que acolheu o jovem enólogo, faziam também parte José Maria Soares Franco, Manuel Vieira e um provador antigo, o Sr. Adelino. Parecia haver tempo para tudo… e o “tudo” era feito com calma. Também, a pressão era muito menor do que a que se verifica hoje em dia. No Vinho do Porto, apenas existia a Ferreira. Quanto aos vinhos do Douro, as referências eram Esteva e Douro Especial, que seria Reserva Ferreirinha ou Barca Velha. Assim, a vida no Douro seguia calma e Luís começou imediatamente a desenvolver uma relação muito especial com a Quinta da Lêda, à qual se refere como “refúgio”.

Com a morte do Sr. Adelino, em 1991, José Maria Soares Franco diz a Luís Sottomayor para tomar conta dos vinhos e passar a ser responsável pelos lotes. Depois, em 1997, a Offley é integrada na Sogrape, passando a haver mais produção de Porto. A década de 1990 é, também, decisiva para o portefólio da Casa Ferreirinha. Em 1995, é criado o Callabriga e, dois anos depois, o Quinta da Lêda. Já em 2002, é a vez da Sandeman fazer parte da família Sogrape, enriquecendo o património de Vinho do Porto com as suas referências históricas e as suas quintas emblemáticas, Seixo e Vau. Em 2007, José Maria Soares Franco sai e Luís Sottomayor fica com a responsabilidade global de toda a produção do Douro, passando o seu nome a fazer parte da história única daquele que continua a ser o mais icónico vinho português, o Barca Velha. A passagem de testemunho foi sempre feita de forma tranquila. Primeiro, de Fernando Nicolau de Almeida, o génio criador, para José Maria Soares Franco. Depois, de José Maria para Luís que, com o 2008, última colheita declarada, revelou uma sensibilidade superior e um rigor a que é impossível ficar indiferente. Com legitimidade e absoluta justiça, o nome de Luís Sottomayor é já uma marca de água no rótulo Barca Velha, honrando superiormente a herança que recebe. O 2008 é um vinho que só pode estar no pódio dos grandes vinhos do mundo, percebendo-se que não esquece a história nem recusa os tempos modernos. É polido, imenso, austero, atual e intemporal. Uma obra de arte. Depois deste vinho, pode esperar-se tudo!

O Legado do Caêdo

A Quinta do Caêdo, com uma área de 8 ha, é contígua à Quinta do Vau, a cerca de 5 km a montante da Quinta do Seixo (sobre o rio, perto do Pinhão) e localiza-se na freguesia de Ervedosa. Já no Seixo havíamos estado numa das vinhas mais velhas da Sogrape, com mais de 80 anos e mais de 20 variedades de uva, em field blend. Mas, quando chegámos ao Caêdo, a sensação de estarmos perante história viva foi total. Foi com um misto de orgulho e humildade que Luís Sottomayor nos disse: “Bem-vindos ao Caêdo!”. E acrescentou: “é A vinha”. A história destas vinhas é antiga, com os seus terraços pré-filoxéricos, de aspeto arqueológico em algumas zonas. Existem afloramentos de xisto que interrompem as carreiras de cepas porque, na altura, todo o trabalho era feito com força humana e dinamite. Nem o dinheiro chegava para tudo, nem a própria dinamite, pelo que alguma pedra mais difícil era deixada.

A vinha foi plantada imediatamente após a filoxera, já com porta-enxerto americano para resistir à praga. As castas estão misturadas, como é normal nas vinhas velhas do Douro, e estão, neste momento, totalmente identificadas por bardo. São mais de 20 e Luís Sottomayor destaca a Tinta Nevoeiro, por apenas a conhecer por aqui. Depois refere outras como Tinta da Barca, Donzelinho, Casculho, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Amarela e uma enorme quantidade de Rufete. Estas vinhas centenárias têm uma produção baixíssima, com algumas cepas a produzirem apenas um cacho, outras, dois ou três. Não mais que isso. São acarinhadas como bebés. A prática orgânica cobre todos os trabalhos, com o recurso a cavalo que, como se imagina, não tem a tarefa facilitada atendendo à irregularidade dos patamares. Em algumas áreas, as vinhas velhas já não tinham produção, pelo que foram reconvertidas. Uma das apostas para essas vinhas recentes é o Tinto Cão. 

Historicamente, a Quinta do Caêdo sempre entregou uvas à Ferreira, para lotes de Vinho do Porto. Já em 1992, a quinta é comprada pela Sogrape e cedo despertou o interesse de Fernando Guedes. Mas foi apenas quando Luís Sottomayor assumiu a direção de enologia no Douro que aquele lhe falou desta vinha, desafiando-o a fazer uma vinificação separada para “ver o que dava”. Assim, em 2007 é feito o primeiro vinho tinto a partir destas uvas, num balseiro que pode ser visto na adega do Seixo. Nesse primeiro ano, percebeu-se imediatamente que a intuição de Fernando Guedes havia sido certeira e que o vinho era diferente, com uma complexidade e harmonia fora do comum. Nesse ano, foi comercializado com o rótulo Casa Ferreirinha Vinhas Velhas. Na colheita seguinte, confirmou-se a consistência. Mantinha o carácter, o equilíbrio e a complexidade, nascendo, assim, o Legado 2008. O que o enólogo nos diz deste vinho é que… não há muito para dizer (!). É o que a vinha dá. Diferente em cada ano. Imperfeito e único. Como a vinha que temos diante de nós. A única intervenção tem a ver com a decisão da vindima, a qual é feita em dois ou três momentos separados, conforme as exposições e altitude, para conseguir algum equilíbrio. Apenas isso. Como nos dizia Luís Sottomayor, “não há muito para dizer, há que estar na vinha e percebê-la”.

A tentação (ia dizer necessidade…) de beber o Legado depois de ter estado no Caêdo era, para mim, tão evidente, que foi o primeiro vinho que abri, já em casa. Percebi que não tinha nada mais antigo que 2011… 2011 seria. É um vinho com elegância quase bruta, espesso, muito viril, tem excessos e, se recorrermos aos Vintage 2011, percebemos o seu estilo. Ao mesmo tempo, transmite uma tranquilidade que nos desarma e nos envolve. E lembramo-nos da atmosfera do Caêdo. O Legado 2011 fez parte de um jantar de pombo, tendo este prato sido escolhido porque a memória mais forte que guardo destes vinhos é “carne”. Lust. É incrível como no 2011 parece ser ainda mais evidente… O pombo foi cozinhado em cocotte, primeiro passado por manteiga e azeite, depois com chalotas e alho, tapado no forno a 120º, durante 30 minutos. O arroz foi feito como um risotto, com morrilles, o caldo dos ossos do pombo, champagne e os fígados desfeitos em manteiga. Há momentos que parecem perfeitos entre vinho e comida. E este foi. Simbiose pura. Um confundia-se com o outro. E, depois de conhecer a Vinha do Caêdo, o amor pelo Legado é maior. Vinho complexo, sem dúvida. Em tudo diferente. Quase humilde de tão grande. Desassossegado. Que vai viver muitos anos, como a vinha que o produziu.

O silêncio da Lêda

A Quinta da Lêda, em Almendra, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, a poucos quilómetros de Espanha, traduz bem o Douro Superior profundo. É uma das joias da Sogrape e a sua aquisição partiu de um engano. A Ramos Pinto andava à procura de terras em Almendra e o então proprietário da Lêda decidiu apresentar a quinta aos interessados. Erradamente, dirigiu-se à Ferreira. Na altura, foi recebido por Jorge Ferreira que lhe disse ser a Ramos Pinto a empresa que procurava. Nessa altura, já António Rosas tinha comprado a Quinta da Ervamoira, pelo que não se fez negócio. Com todos os equívocos esclarecidos e a propriedade novamente no mercado, Jorge Ferreira foi até Almendra e ficou com os terrenos. A compra aconteceu em 1979 e nesse mesmo ano plantam-se as primeiras vinhas. A Quinta da Lêda começou com dois vales em frente à atual adega e ao Monte da Callabriga, sendo esses primeiros encepamentos de Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca. Depois, em 1985, dá-se uma nova plantação, a Vinha do Grilo, na qual se fez a seleção clonal da Touriga Nacional, identificando-se as dezenas de clones da casta que hoje são usados por todo o Douro.

Ao longo do tempo, foram sendo adquiridos terrenos que aumentaram a propriedade, não só em área, como em diversidade. Do total de 160 ha, 60 localizam-se junto ao Douro. Estão identificados 16 tipos de solo, na sua maioria xisto, com proveniências e idades diferentes, existindo também solos argilosos na margem do rio. A adega foi inaugurada em 2001. É uma adega de vinificação totalmente concebida a partir do princípio da gravidade, para não ser necessário o recurso a bombas. O mesmo modelo foi usado, depois, na nova adega da Quinta do Seixo, em 2007. Ambas têm lagares, com possibilidade de pisa a pé ou pisa com robot. No Seixo, por exemplo, o robot é usado nos Portos de grande volume, LBV e Reservas, enquanto para as melhores uvas, para os Vintage, Luís Sottomayor continua a achar indispensável a pisa a pé.

Descrever a paisagem da Quinta da Lêda não é fácil. Se no Caêdo nos sentimos abraçados pela topografia, com algumas zonas em que os patamares lembram quase um jardim oriental, na Lêda a abertura de paisagem é imensa. As vinhas espraiam-se por vales amplos e ao longo das curvas de nível, até onde a vista alcança. As montanhas sucedem-se, a uma escala que não é humana. A amplitude da geografia, a aridez e rudeza tão característica desta zona do país e a presença tão forte do Monte da Callabriga, emprestam uma beleza única à propriedade. E, depois, começamos a notar o silêncio. Um silêncio que tudo envolve e tudo contagia. Há um isolamento total e, por isso mesmo, Luís Sottomayor refere as pessoas que lá trabalham - têm de ser especiais, ter espírito de grupo e formar uma equipa que se adaptou bem a esta particularidade. São 18 pessoas que também amam a Lêda, em quem Luís confia para a viticultura de precisão que ali é praticada e que, por também estarem na quinta há já tantos anos, são a peça fundamental para vindimas muito tranquilas, sem pressas ou stress.

Como já dissemos, a Quinta da Lêda é o refúgio preferido de Luís Sottomayor. Foi lá que, no período de 1989 a 2006 fez a vindima, ininterruptamente. É o seu mundo e quando se refere ao Douro Superior os olhos têm um brilho diferente. A atmosfera da Lêda, o silêncio, a paisagem, o “sítio onde não se passa nada”, tudo isso o encanta. Apenas numa altura do ano não consegue estar na Lêda: logo após a vindima. A alegria da adega cheia, o burburinho, as pessoas, os carros a chegar com uvas, constroem um ambiente tão contrastante com a solidão normal, que quando tudo acaba é quase depressivo. Tem de se afastar 15 dias para conseguir voltar novamente.
A vindima na Quinta da Lêda é totalmente manual e estas uvas entram em vários vinhos da Sogrape. O Quinta da Lêda é constituído unicamente por uvas da quinta, enquanto o Vinha Grande, o Callabriga e o Papa Figos usam estas uvas numa parte do lote, com os dois últimos a recorrer também a lavradores ali à volta, exclusivamente Douro Superior. Para o Douro Especial, que mais tarde será Barca Velha ou Reserva Especial Ferreirinha, também a maioria das uvas é da Quinta da Lêda. Além destas, como se trata de um vinho que tem na sua filosofia a diretiva de longevidade, são necessárias uvas de cotas mais altas, com mais acidez, exatamente para garantir a capacidade de envelhecimento que se exige. Um dos recursos para essas uvas é a Mêda, tendo a Sogrape comprado duas propriedades, que constituem atualmente as aquisições mais recentes no Douro. A Quinta do Castanheiro, com 10 ha e uma altitude de mais de 650 metros, na qual Luís Sottomayor deposita grande expectativa para os vinhos brancos. E a Tapada do Castanheiro, de tintos, com uma área de 12 ha e uma altitude de 400 metros, à qual já havia comprado uvas para o Barca Velha. Foi impossível não nos determos um pouco mais no Barca Velha e no que envolve a produção deste vinho. Luís Sottomayor diz-nos que 90% da sua construção é a vinha: “O Barca Velha nasce aqui”. A sua alma é a Quinta da Lêda. A partir da maturação, há que acompanhar a evolução das uvas, perceber e identificar as parcelas que têm o perfil certo. Este sim, é o trabalho fundamental que vai ditar o futuro. Depois do estágio em madeira, vem a grande decisão, a mais delicada em todo o processo: perceber se será engarrafado ou não. Ou seja, depois do lote, analisar se tem os atributos necessários para Douro Especial. Se não tiver, esse vinho entrará nos lotes de outras referências da Casa Ferreirinha.

Após esta fase, há que acompanhar o vinho com provas regulares. Todos os Barca Velha são vinhos com estilo para envelhecer, têm perfis parecidos, com as diferenças naturais de cada ano e, para Luís Sottomayor, o tempo de convivência com todo este processo dá-lhe uma segurança que já parece intuitiva quando fala dela. E é com a maior naturalidade que nos diz que decidir se um vinho é ou não Barca Velha não lhe tira o sono. É apenas uma questão de saber qual o momento oportuno de declarar. Eu acrescento que, no caso do 2008, foi inspirado por Deus.

Vintage 2016, um ano clássico para a Sogrape

A nossa visita pelo Douro tinha também o objetivo de conhecer os novos Vintage da Sogrape. Luís Sottomayor diz-nos que não se lembra de um ano como o 2016 para Vinho do Porto. Começa por recordar a velha máxima “ano de míldio é ano Vintage”. São anos frios, nos quais as uvas têm maturações equilibradas e guardam a frescura e a elegância. De 2016, destaca a harmonia entre a doçura e a acidez, dizendo que talvez 1997 tenha sido parecido… mas “com esta estrutura aliada a esta elegância, não me lembro!”, diz-nos com particular entusiasmo. Claro que o maior entusiasmo estava guardado para os três Vintage que desfilaram nos copos, Offley, Sandeman e Ferreira, todos vinificados na Quinta do Seixo. O Offley tem origem em lavradores que sempre forneceram uvas à empresa, com uma parte do lote garantida pela Quinta do Sairrão (vinhas de meia encosta). Este 2016 tem uma produção de 20.000 garrafas e é muito aromático e alegre, mais aberto e falador que os que se seguiram. O nariz é sedutor e na boca tem uma intensidade notável. É quase explosivo, com grande acidez e frescura, taninos areados, fruta e doçura harmoniosa. É vibrante e contagia-nos. Para os apreciadores de Vintage novos, esta é certamente uma escolha prazenteira, já que apresenta uma concentração mais suave e uma fruta já muito expressiva.

Quanto ao Sandeman, tem origem nas Quintas do Seixo e do Vau e apresenta-se como um verdadeiro clássico, com grande pureza nos aromas e finesse na atitude. É austero e robusto, com taninos muito firmes. Fechado, com grande frescura e elevação. Se atendermos ao perfil dos Vintage da Sandeman, onde podemos incluir os Quinta do Vau, parece que estamos perante a sublimação do que têm de melhor. Não é um vinho super poderoso ou violento na estrutura e na doçura, antes resolve essa equação pela elegância e limpidez. Um senhor! Por fim, tivemos o Ferreira que, tal como o Sandeman, é produzido numa quantidade de 10.000 garrafas. Este é um vinho com grande elegância, maior suavidade de taninos, com perceção de açúcar imediata e equilibrada, ao estilo a que a Ferreira sempre nos habituou. Luís Sottomayor guardou-o para o final pela sua densidade e volume na boca. É um vinho que se mastiga, espesso, quase pastoso, ainda fechado e que promete evoluir por várias décadas. Tem, sem dúvida, o charme dos clássicos. Mentalmente, voltamos ao início e pensamos como será o Legado 2016… uvas que sempre tiveram por missão o Vinho do Porto e que parecem continuar a obedecer a essa lógica, reinventando a sua matriz em vinhos desafiadores e únicos, que nada têm a ver com tendências ou modas. E lembramo-nos, também, das palavras de Luís Sottomayor: “Ao Sr. Fernando Guedes, que é ele o pai e impulsionador desta vinha que é um jardim.” A vinha que entrava no Porto Ferreira e que agora é um legado…

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