Porto no centro da discussão sobre o clima

Fotografia: Fotos D.R.
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Luís Alves

Luís Alves

Conferência no Porto sobre alterações climáticas que terá, entre outros oradores, a presença de Barack Obama, faz arrancar movimento de combate às alterações climáticas, através do documento ‘Porto Protocol’.


O primeiro evento da iniciativa Climate Change Leadership Porto Summit 2018 vai acontecer já no próximo dia 6 de julho, no Porto. A iniciativa tem o objetivo de colocar as alterações climáticas no centro do debate.

A organização do evento, que contará com a presença como orador do ex-presidente americano Barack Obama, destaca o défice de discussão em torno desta questão, ainda que as empresas e entidades tenham essa preocupação como prioridade.

Em conferência de imprensa, no Porto, Adrian Bridge, CEO do grupo The Fladgate Partnership – uma das entidades envolvidas na organização – sublinhou a importância de um evento deste género, desenhado em associação com o setor da agricultura. “As videiras são muito afetadas pelas temperaturas e precipitação. Se temos granizo em julho estraga toda a nossa colheita. Não é possível sozinho encontrar soluções”, sublinhou Bridge, referindo-se à atividade do grupo na produção de vinho, no grupo Taylor’s.

No próximo dia 6 de julho estarão em debate soluções que mitiguem e permitam uma adaptação às alterações climáticas, através de soluções de curto e longo prazos.

O Instituto do Vinho e da Vinha (IVV) é outra das entidades envolvidas que espera resultados concretos deste evento. “É importante dar um sinal de preocupação à indústria, mas também para fora, que Portugal está na linha da frente para encontrar formas que minimizem os impactos das alterações climáticas. A presença do presidente Obama demonstra a sua preocupação com este tema e a vinda a Portugal vai ajudar-nos a galvanizar e a passar a imagem que Portugal está à frente nesse combate”, sublinha Frederico Falcão, presidente do IVV. 

Obama: líder da economia verde

Para além de Obama, serão também oradores Mohan Munasinghe, ex-vice Presidente do IPCC e vencedor do Prémio Nobel da Paz em 2007, Irina Bokova, ex-diretora geral da Unesco e Juan Verde, presidente da Advanced Leadership Foundation. Esta última entidade, representada na conferência de imprensa por Jorge Brown, assume como meta encontrar “as novas gerações de líderes”. “Termos este evento no Porto é uma grande oportunidade para desenvolver uma ‘summit’ com o Presidente Obama, que tem sido um dos mais importantes líderes da economia verde, das energias alternativas e das alterações climáticas”, acrescentou.

A cidade que vai receber este evento vê a pertinência do tema e destaca um facto da carreira pós-presidencial de Obama. Ricardo Valente, vereador do Município, recorda que “é a primeira visita europeia do ex-presidente desde que deixou a Casa Branca”. “Isso representa a validade do tema e da discussão que vai acontecer nesta cidade”, destaca.

A organização pretende que o evento não fique apenas circunscrito ao debate. Também está a ser preparado um documento de compromisso para a comunidade empresarial na luta contra as alterações climáticas. As contribuições virão de cada empresa que deixará escritos os seus compromissos com o tema. “A iniciativa pretende ser um verdadeiro ‘call to action’ e um ponto de troca de ideias e experiências’, pode ler-se no comunicado da organização. 

A Associação Comercial do Porto (ACP) é outra das entidades que integra o grupo dos organizadores. Nuno Botelho, presidente da Associação, vê o evento como um desafio. “Não podíamos dizer que não nem podíamos deixar de estar presentes. A sustentabilidade económica da região está intimamente ligada às alterações climáticas e temos encontrar soluções. É crucial para as empresas e tem que ser crucial para a ACP”, afirmou.

A ligação entre as alterações climáticas e os impactos que estas podem ter na agricultura serão um tópico central do debate e uma preocupação partilhada entre Adrian Bridge e Pancho Campo, da The American College in Spain, organização também envolvida na Climate Change Leadership. “Para fazermos bons vinhos precisamos de boas uvas. E estas precisam da influência do sol, do solo, das chuvas. Se às alterações climáticas juntarmos as pragas e doenças que podem surgir devido a estas, para além das novas regiões produtores de vinho, temos muitas questões a levantarem-se”, referiu Pancho Campo.

A conferência vai acontecer no Coliseu do Porto e a organização sublinha o retorno que esta vai dar à cidade, seja pelo motivo de debate, seja pelos oradores de relevo que constam no programa.

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