Quinta de la Rosa reforça portefólio de… cervejas

Fotografia: Fotos D.R.
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Marc Barros

Marc Barros

Há cerca de um ano, aquando da apresentação do novo restaurante Cozinha da Clara, na Quinta de la Rosa, no Douro, a coproprietária e gestora Sophia Bergqvist e o enólogo Jorge Moreira tinham uma pequena surpresa para os presentes: cervejas de produção própria. Tratava-se de uma IPA (Indian Pale Ale, cuja designação provém da utilização de maiores quantidades de lúpulo que permitiriam à cerveja viajar até à Índia em bom estado de conservação) e uma Lager. Esta primeira experiência, que resultou numa produção que rondou 1000 litros cada, foi mais bem-sucedida no primeiro caso, recorda Sophia Bergqvist. 

Mas o potencial qualitativo estava lá e a vontade de dar um cunho duriense a uma cerveja própria prosseguiu. E foi assim que chegaram a esta segunda “colheita” de cervejas com a marca La Rosa, a que se juntará em breve uma Stout. A apresentação decorreu no restaurante Cantina, no Porto, no qual se juntaram a Sophia Bergqvist e Jorge Moreira os responsáveis da distribuidora DCN Beers, Rita Agrellos e Pedro Pimenta.

A aventura cervejeira começou como um desafio surgido pela mão de Richard Naisbey, “master brewer” da Milton Brewery, em Cambridge, amigo da família e visita recorrente da Quinta de la Rosa. Foi este personagem, carinhosamente caracterizado como um ZZ Top pelo filho mais velho de Sophia, Kit Weaver – e que utiliza barricas de vinho do Porto para a produção personalizada da Stout Markus Aurelius -, que lançou a semente do projeto, ao referir o facto de “muitos produtores de espumante do sul de Inglaterra estarem a alargar o seu portefólio à produção de cerveja”, recorda Sophia. Daí a arrastar para esta nova aventura o seu irmão Philip, o seu filho Kit (que por acaso até tem uma profissão a tempo inteiro numa “start-up” de novas tecnologias no Reino Unido mas é o responsável por este segmento de negócio de La Rosa) e o enólogo Jorge Moreira (que achou por bem aprender o processo de produção de cerveja de fio a pavio…) foi um passo.

Depois da produção inicial ter recolhido uma procura significativa, o passo seguinte foi dado em paralelo com a DCN Beers, empresa especializada na distribuição de cervejas artesanais, com 20 anos de operação e um vasto conhecimento e papel no recente fenómeno de expansão deste segmento de consumo em Portugal. Pedro Pimenta refere que o mercado nacional continuará a ser largamente dominado pelas duas maiores marcas nacionais, mas a sua quota irá decrescer, fruto da consolidação das micro e médias cervejeiras nacionais e, como consequência, do aumento da disponibilidade e procura dos consumidores portugueses por outras cervejas.

Estas são cervejas durienses, apesar de o rótulo não poder ostentar a designação Douro. Mas a ligação ao vinho é incontornável, explica Jorge Moreira, sendo que a IPA foi “estagiada” em barricas por onde passou o Reserva Branco da casa. “Procuramos um padrão de qualidade e identidade próprios da marca La Rosa”, mas prestando “um cunho duriense a uma cerveja de estilo inglês, quer pelo uso das barricas, quer pelo padrão de equilíbrio de sabores e texturas que queremos passar dos vinhos para as cervejas”.

A IPA (7%; 3,50 €) é produzida a partir de maltes de cevada Maris Otter, fermentada em inox e uma temperatura controlada de 10 ºC durante 10 dias e estagiada em carvalho. A Lager (5,5%; 3,50 €), à semelhança da anterior, utiliza os mesmos maltes mas foi estabilizada antes do engarrafamento. Segundo Pedro Pimenta, cerca de 70% destas cervejas estarão disponíveis no canal “on trade”. Para dentro em breve espera-se a chegada ao mercado da Stout, que será produzida com o Porto Vintage da casa.

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