Comer

Espargo selvagem, o sabor da terra

É com a frescura dos dias primaveris que ele rebenta do solo, tal como um sussurro da terra em busca do sol. O espargo selvagem será uma das maiores riquezas que um gastrófilo pode encontrar pela frente. Tenro, carnudo, levemente crocante e acidulado, com uma subtil nuance de noz, quanto menos se cozinhar melhor. De cor verde escura a violeta, é um verdadeiro broto da primavera, surgindo a polvilhar a paisagem depois das primeiras chuvas, mas ao apelo das temperaturas mais amenas. Em Trás-os-Montes ou Alentejo é onde crescem com mais sabor. Junto de vinhas, olivais ou em plena floresta, colhê-los torna-se mais do que um passeio às entranhas da Natureza. Requer perícia e “olho” certeiro. Foi em terras do sul, mais propriamente Estremoz, que fomos descobri-lo e saboreá-lo com quem sabe. Antes e depois, no prato, as primícias dos espargos são um prazer.

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Ouriços - Mar em estado puro

Feche os olhos e imagine um daqueles dias de nevoeiro com um incrível odor a maresia. Pense agora que podia, ao mesmo tempo, saborear essa mesma sensação. Bom demais, não? Pois bem, comer um ouriço-do-mar é isso mesmo. Uma verdadeira explosão de maresia na boca, como se um “spray” marinho ou uma onda gigante nos borrifasse de alto a baixo com gotículas de água salgada. O mar em estado puro. Uma experiência que se recomenda a qualquer apreciador de sabores “exquis” e, inacreditavelmente, ainda tão pouco valorizada em Portugal.