Hotel Le Monumental abre temporada vínica

Fotografia: Arquivo
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Redação

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Em plena Avenida dos Aliados, no Porto, o Le Monumental Palace abriu um ciclo de jantares vínicos regulares que pretende combinar a mestria e delicadeza da cozinha francesa do chefe residente Julien Montbatut com vinhos que apresentem pergaminhos de evolução.

 

José Sá, o sommelier do restaurante principal do cinco estrelas Le Monumental, do grupo Maison Albar Hotels, explica que o desafio desta temporada de jantares vínicos passa por testar a capacidade de evolução de um determinado vinho ao longo de um jantar harmonizado com diferentes propostas gastronómicas. E a estreia, contava dezembro a segunda semana, reuniu um Chardonnay alentejano e robalo sob várias preparações. Combinação improvável, vaticinariam alguns, mas que resultou bem, comprovou a Revista de Vinhos.

O produtor convidado foi o Monte da Raposinha, projeto iniciado em 2007 e sediado junto à serra de Montargil, Norte do Alentejo. A maioria dos 15 hectares de vinha está plantada bem próxima da barragem, tendo por base solos de areia, argila e calhau rolado, e a produção atual ronda as 100.000 garrafas. A enologia tem estado a cargo de Susana Esteban. Paula Ataíde, enóloga e mulher de João Nuno, o produtor, assumiu entretanto a pasta.

“Robalo marinado e flamejado, pepino e ovas de salmão” maridaram com o Athayde Reserva 2017. Amarelo, combina aromas de flor branca, lima e toranja, mostra boa acidez, prolongamento final e um toque fumado. A seguir, “robalo cozido em caldo de marisco, coulis de agrião e coração de alface”. Acompanhou o Athayde Reserva 2015 – amarelo dourado, muito elegante e equilibrado, ainda com perceção citrina, a revelar bastante untuosidade, bom volume e final com acidez quase crocante de tão mineral. 

Athayde Reserva 2009 foi o vinho da noite, ao revelar uma evolução muito bem conseguida. Dourado ainda com laivos esverdeados, aromas de alperce e tâmara, fumado agradável, algum querosene e apontamentos salinos, muito boa untuosidade, acidez final conseguida, prolongamento assinalável, vive um grande momento. Acompanhou “robalo salteado, abóbora, alho francês bebé grelhado e milho de espinhas torradas”.

Um jantar de nível muito interessante, que ajudou a sinalizar o potencial da cozinha de matriz francesa de Julien Montbatut. Mas, sobretudo, uma ideia que se saúda e um exercício que ajuda a comprovar a boa capacidade de evolução dos vinhos portugueses e a consistência ao longo de diferentes colheitas de um mesmo vinho, de um mesmo produtor. 
 

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