Produção de vinho cai 14%

Dados do IVV confirmam quebra superior à inicialmente estimada, para 5,9 milhões de hectolitros.

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Redação

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Dados do IVV confirmam quebra superior à inicialmente estimada, para 5,9 milhões de hectolitros.

 

Os números do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) apontam para a quebra de produção de -14% na última vindima face à campanha 2024/2025. As declarações de colheita e produção da campanha 2025/2026 totalizam 5,9 milhões de hectolitros, refere o IVV em nota de imprensa.
Estes valores confirmam a quebra superior à inicialmente estimada pelo instituto, que se cifrava em -11%. Em relação à média das cinco campanhas anteriores, observa-se uma redução de -16% na produção, assinala o IVV.
Entre os fatores que contribuíram para este decréscimo na produção, assume “particular relevância a instabilidade meteorológica”, marcada por “precipitação intensa e temperaturas amenas na primavera”, que favoreceram “o desenvolvimento de doenças fúngicas, sobretudo o míldio”.
Na generalidade, as produções por região registam um decréscimo, face à campanha anterior, com destaque para as regiões do Douro (-34%), do Algarve (-20%), do Alentejo (-19%) e de Trás-os-Montes (-18%).
As regiões do Douro e do Alentejo apresentam as maiores descidas em volume, comparativamente à última campanha, totalizando cerca de 780 mil hectolitros. As regiões dos Açores (+221%) e da Beira Interior (+2%) destacam-se por terem obtido aumentos de produção face a 2024/2025.
As produções declaradas como aptas a Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP) continuam dominantes, mantendo nesta campanha 91% da produção nacional.
Em linha com o verificado nos últimos anos, é predominante a produção de vinhos tintos, representando 53,9% do total produzido. O volume dos vinhos brancos tem demostrado uma tendência de crescimento, estando, nesta campanha, ligeiramente acima dos 2,3 milhões de hectolitros, com um peso de 39,4% na produção nacional. Já os vinhos rosados representam 6,7%.

Correção de existências
 
A quebra de produção vem numa conjuntura em que o sector procura definir movimentos de correção de existências e ajustar-se à quebra de procura. Em 2025, os operadores portugueses declararam (a partir de 31/07/2025, ou seja, antes do arranque da vindima), um volume total de vinho/mosto em stock de 12,1 milhões de hectolitros (-5% em 2024) e 389.000 hectolitros de destilados e subprodutos vitivinícolas (+10% em relação a 2024).
Os vinhos com D.O.P./I.G.P. representavam 84% das existências e os vinhos fortificados com D.O.P. 29% do total.
Verificava-se ainda a diminuição na percentagem de stocks de vinhos D.O.P. /I.G.P. na maioria das regiões, especialmente em Lisboa (-26%) e na Península de Setúbal (-21%). Em contrapartida, a região do Douro tem o maior aumento do volume de stock de D.O.P. /I.G.P. (+161.000 hectolitros), o que contradiz o efeito de sucessivas destilações de crise de que a região beneficiou.
Há também um aumento nos stocks de produtos D.O.P. /I.G.P. nas regiões do Algarve (+19%), Távora-Varosa (+5%), Douro (+4%) e Verdes (+3%); bem como uma queda de 19% no volume de vinhos e mostos da União Europeia.
Há, portanto, uma redução de 19% no stock total de vinhos com Indicação Geográfica Protegida e um aumento de 13% no número total de produtos com ano/casta; a redução de 8% na categoria de vinhos tintos; bem como o aumento de 5% no volume na faixa de 100 a 1.000 hectolitros e a diminuição de 10% na faixa superior (> 100.000 hl).
Em paralelo, 19 entidades têm volumes superiores a 100.000 hectolitros, o que representa 42% do total de existências. Em contraste, 78% de todos os operadores económicos com volumes abaixo de 1.000 hectolitros (2.488) representam apenas 4% do total de stocks.