Dia Global Évora destacou a importância do vidro no packaging do vinho.
A sustentabilidade é, nos dias que correm, um dos temas fundamentais na indústria do vinho e todos os aspetos correlacionados. Desde logo também o é no ‘packaging’ do produto, em que a garrafa assume papel de destaque, não só como imagem identitária do vinho, mas sobretudo no que toca à produção industrial dos vasilhames e, numa fase posterior, do transporte.
Estas foram questões em análise no chamado Dia Global Évora, que teve lugar nas instalações da Global Embalagem na Azaruja, Évora. Alberto Oliveira, o CEO da empresa que celebra igualmente um quarto de século, afirmou que, ao longo deste período, a grande mudança verificada na indústria passa “essencialmente pela redução do peso das garrafas”, verificando-se “a procura por garrafas mais leves”.
Na sua leitura, o movimento “começa sempre a jusante”, ou seja, do lado dos consumidores, que fazem refletir essa necessidade ao longo da cadeia. “É uma questão gradual, mas todos apontamos nesse sentido”, disse à Revista de Vinhos. Por tudo isso, “o mercado passou também a ser mais racional e procura as garrafas adequadas a cada circunstância”.
No entanto, considera Alberto Oliveira, “existe sempre espaço para produtos de nicho, que continuam a ter garrafas pesadas e garrafas personalizadas, com forma”. A concorrência que tem surgido com outro tipo de materiais no ‘packaging’ como os PET, o ‘bag in box’ ou as latas, não retira ao vidro a componente identitária, até porque, segundo Alberto Oliveira, “o consumidor tem a perceção de que o vidro é um produto de qualidade, inócuo e estável”.
No caso da Global, os últimos anos e os próximos tempos trarão novos desafios. Depois de inaugurado em 2022 o centro logístico de Évora, com 6.000 m2 e capacidade para armazenar 7.320 paletes (equivalente a 281 camiões TIR), num investimento de 3,5 milhões de euros, a empresa, que vendeu um total de 70 milhões de garrafas em 2025, continuará a investir no mercado espanhol. Para Alberto Oliveira, trata-se de “um mercado natural, devido à nossa proximidade, idioma e culturas semelhantes e, logo a seguir, pela proximidade ao mercado francês”. A Global adquiriu três empresas no país vizinho e marca presença nas principais DO de Espanha, como Ribeira del Duero, La Rioja, Cataluña e Canárias, estando ainda a desenvolver de raiz um complexo logístico em Tudela del Duero, Valladolid.
Alentejo reforça sustentabilidade
Também presente no evento, o presidente da CVR Alentejo, Luís Sequeira, destacou a importância da sustentabilidade na região que, desde logo pela implementação do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA). Aliás, referiu Luís Sequeira, “fomos das primeiras regiões do mundo a ter essa perspectiva e a investir de forma clara”, sendo “gratificante olharmos para alguns dos ganhos que já foram conseguidos”, elencou. Desde logo, “o simples facto de, em média, termos reduzido 20% do consumo de água e 30% na utilização de eletricidade”, exemplificou.
O mesmo pode ser aplicável às garrafas de vidro, considera. A CVRA levou a cabo diversos estudos de mercado sobre o tema - um dos quais realizado pela empresa Intercampus - junto dos consumidores, tendo apurado que “72% dos consumidores não fazem qualquer tipo de associação entre o peso da garrafa e a qualidade do vinho”. Ou seja, “essa ideia feita, que possa ter sido real há alguns anos, já não o é de todo atualmente”, sublinhou Luís Sequeira. “O que quer dizer que há uma quantidade significativa de peso de garrafa desnecessário. Para termos uma ideia, estamos neste momento a desenvolver um projeto para a chamada garrafa leve do Alentejo, qualquer coisa como 310 gramas, que poderá, pelas nossas perspectivas, potenciar a redução de 7.000 toneladas de CO2, o equivalente a plantarmos 150 ha de floresta densa todos os anos”, referiu.
No caso concreto da sustentabilidade, o presidente da CVRA deu nota ainda do projeto Re:Boxed, que consiste “numa embalagem de transporte feita com a recuperação dos rótulos autoadesivos, que não tinha qualquer forma de ser recuperado, a não ser incinerado”. Através desta parceria com a Universidade da Beira Interior e com a empresa Partícula Verde, no âmbito do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo, “demonstramos que há solução e apresentamos uma inovação a nível mundial”, a qual permitiu que, em 2025, cerca de 14 toneladas de fita de rótulos deixassem de ser descartadas.