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AdegaMãe

Viosinho de mar e outros monocastas

 

Estamos em Torres Vedras, escassos oito quilómetros em linha reta do Atlântico. O vento e o sopro constante de maresia são facetas bem identitárias dos vinhos da Adega Mãe, obtidos a partir de 40 hectares de vinhedos próprios. Noutras localizações mais abrigadas, de perfil mais continental, exploram-se 80ha, em parceria com diferentes viticultores.

 


A constante ondulação de colinas e vales serpenteia o perfil dos vinhos da Adega Mãe. Os solos calcários ajudam a preservar a acidez natural dos vinhos e as elevadas amplitudes térmicas, com dias de verão e de pré-vindima que por vezes registam diferenças em torno de 15ºC graus entre o pico de calor e o período mais frio da noite, permitem preservar a expressão aromática das diferentes castas.
Arinto, Viosinho e Alvarinho são as variedades brancas dominantes. O Viosinho, que tem muito relevo no projeto, mostra-se aqui mais tenso e mineral do que o que estamos habituados a encontrar pelo Douro, com a vantagem adicional de manter boa parte da untuosidade e estrutura que lhe reconhecemos de outras paragens. Tem ainda a curiosidade de, regra geral, ser a casta primeiramente vindimada em cada colheita.


Entretanto, já vinificam desde 2018 um Vital de vinhas velhas na Serra de Montejunto e a busca por parcelas idênticas promete continuar. O Vital é uma das variedades intrinsecamente ligadas aos vinhos da região de Lisboa, mas nas últimas décadas perdeu boa parte do protagonismo – nas novas plantações de vinha e, por consequência, nos vinhos disponíveis no mercado. Daí o interesse agora crescente no resgate de parcelas de Vital de cepas antigas, sabendo-se, desde que bem trabalhada e em anos favoráveis, permite brancos de uma personalidade muito própria, inimitável, o que os torna diferenciadores entre os demais.


O encepamento tinto mostra diversidade apreciável, conjugando Touriga Nacional, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, entre outras.
Os Adega Mãe Terroir, branco e tinto, são os topos de gama de um portefólio que tem vindo a crescer com a afirmação. Os monovarietais, igualmente brancos e tintos, são bem interessantes e constituem um exercício muito pedagógico de compreensão do potencial de diferentes uvas nesta geografia (provamos as mais recentes versões). Aliás, em 2011 plantaram um campo experimental de variedades para, precisamente, entenderem com maior rigor e precisão as apostas que deveriam fazer.
Diogo Lopes, o enólogo da Adega Mãe que surge na capa desta edição, assume o compromisso de privilegiar as variedades portuguesas, salientando que 80% do total do encepamento é autóctone. 
João António Alves, o fundador, começou em 2006 a pensar fazer vinho, algo que se tornou realidade com a decisão de avançar para a construção de uma adega (em 2008) e receber uva (em 2010). Bernardo Alves é o diretor-geral e Anselmo Mendes o enólogo consultor.


O edifício, da autoria do arquiteto Pedro Mateus, foi inaugurado em 2011 mas já se tornou numa das principais referências da região. A forma como se integra na paisagem, a modernidade das salas de vinificação e de estágio, o conforto dos amplos espaços interiores e exteriores, são comprovados facilmente numa visita.
Dory é o rótulo principal. Só do branco, a Adega Mãe alcança anualmente mais de 100.000 garrafas, por entre uma produção média total de cerca de dois milhões. 
A família Alves tem sido mais conhecida pelo bacalhau Riberalves, uma das marcas de maior confiança dos apreciadores do peixe que se pesca nos mares gelados do Norte da Europa e que se devora com particular entusiasmo por cá. Ora, o fiel amigo do prato tem direito a capítulo próprio na carta do novo restaurante Sal na Adega, inaugurado em outubro.


O menu do chefe Tiago Velez tem deliciosas propostas ao almoço e jantar, obviamente com um carinho especial em matéria de bacalhau – línguas de bacalhau à Bulhão Pato, arroz de tomate malandrinho com bochecha de bacalhau, cachaço de bacalhau no carvão... Contemporâneo, proporciona sabores portugueses com pitadas de mundividência agradáveis, tendo capacidade para 46 pessoas e ainda uma sala mais restrita, para 18. Há ainda wine bar e loja de vinhos.

 

 

 

 

17
Adega Mãe Arinto 2018

Lisboa / Branco / Adega Mãe
Amarelo limão. Notas de flor de laranjeira, lima e toranja. A expressividade aromática dá lugar a maior tensão logo a seguir, expressa em acidez vincada, final profundo e de persistência assinalável. Um Arinto que balança na garrafa como peixe na água.
Consumo: 2021-2026
8,50 € / 11ºC

17
Adega Mãe Petit Verdot 2017

Lisboa / Tinto / Adega Mãe
Rubi. Floral delicado, cereja e groselha vermelhas, notas bem integradas de barrica. Tanino fresco e firme, estrutura de pendor mais vegetal, final alongado e de perfil salino. Outro bom exemplo da notável adaptação da casta ao nosso país.
Consumo: 2021-2025
8,50 € / 16ºC


17
Adega Mãe Viosinho 2018

Lisboa / Branco / Adega Mãe
Amarelo limão. Nariz de palha seca, lima e toranja. A perceção salina é contínua. Amplo, apresenta bom volume e tensão até final. Persistente, mostra uma derradeira nota de alga seca. Surpreende pelo aporte marítimo bem integrado.
Consumo: 2021-2026
8,50 € / 11ºC


16,5
Adega Mãe Alvarinho 2017

Lisboa / Branco / Adega Mãe
Dourado, reflexos esverdeados. Austero, mostra flor silvestre, lima, bastante iodo. O volume é envolvente, tem boa acidez e frescura geral. O final mostra-se saboroso, com uma nuance de flor de sal. Tem perfil atlântico vincado.
Consumo: 2021-2025
8,50 € / 11ºC


16,5
Adega Mãe Cabernet Sauvignon 2017

Lisboa / Tinto / Adega Mãe
Rubi. Notas apimentadas e de caruma, azeitona preta, cereja escura, vegetal de folha de tomate. Surge fresco e muito solto, a mostrar tanino saboroso, bom volume e físico em grande forma. Finaliza seco e com teimosia. Tem raça.
Consumo: 2021-2027
8,50 € / 16ºC


16,5
Adega Mãe Merlot 2016

Lisboa / Tinto / Adega Mãe
Rubi claro. Leve apimentado, cereja vermelha, um fundo que lembra couro, ligeira especiaria fina e toque balsâmico. Tanino sumarento, estrutura de matriz mais vegetal, final a combinar folha de tomate e alguma secura, com um derradeiro apontamento de tabaco. Uma versão interessante.
Consumo: 2021-2026
8,50 € / 16ºC


16
Adega Mãe Chardonnay 2018

Lisboa / Branco / Adega Mãe
Amarelo, reflexos limão. Mostra palha seca, algum amanteigado, ameixa branca e nuances salinas. Untuoso, tem barrica bem contextualizada, final amplo, mais persistente e salino. Deixa uma agradável nota seca no fecho.
Consumo: 2021-2024
8,50€ / 11ºC


16
Adega Mãe Touriga Nacional 2017

Lisboa / Tinto / Adega Mãe
Rubi. Expressa notas florais de violeta, cereja madura, mirtilo, balsâmicos e mentolados. Tem tanino de porte elevado, estrutura bastante afirmativa, volume traçado com exatidão. Finaliza cheio de persistência. Respeita o perfil da casta.
Consumo: 2021-2025
8,50 € / 16ºC


15,5
Adega Mãe Sauvignon Blanc 2018

Lisboa / Branco / Adega Mãe
Verde limão. O registo é sóbrio e assume a esquadria aromática da relva cortada, espargos e maçã verde. Fresco, de boa acidez, final enérgico e saboroso. Para saladas, pastas neutras ou peças de sushi.
Consumo: 2021-2023
8,50 € / 11ºC

 

AdegaMãe
Estrada Municipal 554 – Fernandinho
2565-841 Ventosa
Torres Vedras
T. 261 950 100
E. geral@adegamae.pt

 

TEXTO E NOTAS DE PROVA Guilherme Corrêa, José João Santos, Nuno Guedes Vaz