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Rufete, velha casta dos novos dias

Fotografia: Arquivo
Marc Barros

Marc Barros

Presente sobretudo no interior norte do país, entre as regiões de Trás-os-Montes, Douro, Dão e Beira Interior, talvez em nenhum outro momento histórico a variedade Rufete tenha encontrado melhor altura para responder às necessidades dos produtores face às atuais dinâmicas de mercado. Numa conjuntura em que os consumidores anseiam por vinhos leves, pouco alcoólicos e calóricos, frescos e com forte aptidão gastronómica, esta variedade perfila-se capaz de assumir na íntegra o caderno de encargos.


A casta, que dá também pelos nomes de Tinta Pinheira e Penamacor, preenche 3.422 hectares de área de vinha (ou seja, cerca de 2% do total, dados de 2018). Pode ser encontrada com frequência em vinhas velhas e mostra-se altamente produtiva, conseguindo, em determinadas condições, ascender a 20 ton./ha. É aneira, de maturações difíceis, pedindo por isso climas quentes, adequados a períodos vegetativos prolongados e isenta de pluviosidade na vindima.

Obtém grau alcoólico reduzido, entre 11 e 12%, e níveis de acidez médios, entre 4 a 6 gr./lt., prestando-se por isso adequada à produção de vinhos rosé e vinhos base para espumantizar. É uma casta de temperamento delicado, anunciando-se muito sensível ao míldio e oídio, obrigando a condições muito particulares para poder dar o melhor de si.

Mas, obtendo-as, produz também vinhos tintos de grande valia, de cor aberta, aromáticos e perfumados, com descritores que incluem morangos, framboesas e ervas aromáticas. De corpo ligeiro, podem ser algo herbáceos, contribuindo para a sensação de frescura natural. É essa frescura e acidez que contribuem para os lotes em que participa, com os exemplos em estreme a chegarem ao mercado em maior quantidade nos últimos tempos.

Dicas

1 – A variedade Rufete tem presença bem marcada na Beira Interior, adaptando-se às características diversificadas de Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo e Cova da Beira. Mas está também no Dão, onde dá pela designação Tinta Pinheira, e no Douro. Pode ser encontrada em Castilla y León e… na África do Sul, contribuindo para os lotes dos seus fortificados ‘Port style’.

2 - Nos melhores exemplos, quando a produção na vinha é domada e as uvas alcançam bons níveis de maturação, a casta Rufete origina vinhos relativamente aromáticos e de corpo razoável. Os vinhos costumam ser acídulos e algo herbáceos, com pouca disposição para guarda mas forte potencial para elaborar vinhos rosados e vinhos espumantes. É, pelas suas características intrínsecas, uma variedade capaz de originar vinhos atuais, no sentido em que encaixam nos modelos de consumo dos nossos dias. Não será de estranhar, por isso, ver mais e mais vinhos de Rufete.

3 – Para já, continuam a rarear os engarrafamentos estremes da casta, sendo mais frequente encontrá-la nos lotes de vinhos das regiões já mencionadas. Mas, caso a curiosidade seja mais forte, deixamos algumas sugestões de vinhos monocasta, correndo o risco de mencionar alguns que possam já nem estar no mercado: Quinta de Cidrô Rufete; Quinta dos Termos Talhão da Serra; Dois Ponto Cinco; Casas Altas Rufete ou Kopke Rosé Rufete. Da sua congénere Tinta Pinheira, encontramos o Casa da Passarella “O Fugitivo” Tinta Pinheira ou Adega de Penalva Tinta Pinheira. Boas provas!