Depois de, na última edição, termo-nos debruçado sobre a variedade Verdelho branca e as diferentes facetas onomásticas da mesma, desta feita deitamos um olhar particular sobre a aparentada tinta da casta. Trata-se da Verdelho Tinto, oriunda e localizada na sub-região do Lima, nos Vinhos Verdes, onde as variedades Loureiro, nas brancas, e Vinhão, nas tintas, são predominantes.
Casta autorizada, apta à produção de vinhos com DO Vinho Verde, a Verdelho Tinto perdeu peso no encepamento local ao longo de décadas. Com efeito, além do Lima, onde é conhecida localmente como Feijão, mostra presença reduzida na restante demarcação, com alguns focos em Arouca, onde dá pelo nome de Miudesso – já se percebeu por esta altura que tal se deve ao bago pequeno que apresenta.
Os estudos da EVAG – Estação Vitivinícola Amândio Galhano -, em Arcos de Valdevez, dão conta de uma variedade de média a elevada fertilidade e muito produtiva. Os ensaios revelam valores analíticos que aproximam a casta do gosto moderno: mosto moderado em açúcares que permitiu atingir em média 10,5% de álcool provável e acidez assinalável (6,4g ácido tartárico/L, dos quais ácidos málico (2,00 g/L) e tartárico (4,69 g/L), resultando em “vinhos equilibrados mas sem destaque de qualidade”. Será altura de recuperar este feijão?
Dicas
1. Para além das já acima referenciadas, outras sinonímias locais são Verdelho Feijão ou Berdelho.
2. Apresenta cacho médio a grande, compacto e de médio a elevado peso, cujo bago, médio a pequeno e esférico, apresenta polpa rija e pouco suculenta.
3. Na vinha, mostra rebentação precoce e maturação média.
4. Desconhecemos a existência de vinhos elaborados com a casta, em estreme ou lote. Provavelmente será possível encontrá-los em vinificações caseiras, de pequenos produtores de uva.