A nova identidade da Renascença

“Preparado para ouvir com outros olhos?”

Fotografia: Arquivo
Célia Lourenço

Célia Lourenço

“Fábrica XL – Edifício J, no coração do LX Factory”, assim dizia o convite para assistir ao lançamento da nova identidade da Renascença, num final de tarde dos primeiros dias de março.

A tal Fábrica XL, uma nave de alma industrial antiga, esperava-nos em espírito de festa. Uma festa urbana, de ambiente escuro com rasgos de luz colorida que antevia um pouco do que se ia passar a seguir. No ecrã, a pergunta, “Preparado para ouvir com outros olhos?”. Preparadíssimos!

A nonagenária emissora católica portuguesa surgiu glamorosa e rejuvenescida. E tudo começou com o nome, dos dois “R” ficou apenas um. Já não é “Rádio”, antes, e só, “Renascença”. Uma palavra que diz tudo desta marca que nasceu em 1936.

A nova identidade esteve a cargo da agência criativa Nossa - novo logótipo, nova sonoridade e nova frase de estação. Ao azul que já a definia, juntam-se agora outras cores. E ao “R” de “Renascença”, junta-se a poderosa frase “Sempre Nunca Igual”. Nuno Cardoso, partner e chief creative officer da agência, refere que “Fomos desafiados a repensar a identidade da Renascença vinte anos depois do último rebranding. Vinte anos é muito tempo para uma marca de comunicação. O país mudou, o consumo mudou, a velocidade mudou. Felizmente, a Renascença também“. E a surpreendente frase nasce daí. “Não como slogan criativo, mas como atitude. A ideia de uma marca que mantém a sua base, mas que não se repete. Que não se acomoda. Que experimenta. Que arrisca. E, sobretudo, que se mantém livre”.

Pedro Leal, diretor-geral de Produção da estação, explica que ao deixar cair um “R” a Renascença ganhou uma dimensão maior. Maior que radio, é digital, vídeo, podcast, redes. “São múltiplos R”, afirma.

Desde o passado dia 4 de março, a radio que deu um contributo tão importante para a revolução do 25 de abril de 1974, a casa que tem o podcast mais ouvido do país - a mesma onde a Essência tem o seu programa semanal desde 2018 -, que foi um dos primeiros órgãos de comunicação nacional a juntar no mesmo website, texto, imagem e som, surgiu com nova identidade. A Renascença reinventou-se, como sempre fez ao longo destas nove décadas. Sempre nunca igual.