A Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (ANDOVI), que representa todas as regiões vitivinícolas de Portugal continental, Madeira e Açores, saúda o apoio anunciado pelo Governo destinado aos viticultores do Douro. Em comunicado, refere tratar-se, contudo, de uma medida circunscrita a uma "única região", numa altura em que todas as regiões vitivinícolas portuguesas enfrentam dificuldades semelhantes, nomeadamente ao nível do escoamento da produção e da quebra dos preços das uvas - uma realidade para a qual a ANDOVI tem vindo a alertar junto do governo.
A Associação espera, por isso, que este apoio constitua apenas um primeiro passo e que seja rapidamente alargado às restantes regiões vitivinícolas do país. À ANDOVI continuam a chegar informações sobre dificuldades no escoamento das uvas em diferentes regiões do país, confirmando que os atuais desequilíbrios entre a oferta e a procura não constituem um problema exclusivo do Douro.
A ANDOVI salienta ainda que o apoio agora anunciado para o Douro deverá ser financiado através de recursos públicos, nomeadamente do Orçamento do Estado. Sendo uma resposta a uma crise que afeta transversalmente o setor vitivinícola nacional, importa garantir que as outras regiões não fiquem excluídas dos mecanismos de apoio.
Perante este cenário, a ANDOVI defende a extensão dos apoios diretos aos viticultores de todas as regiões com Denominação de Origem e Indicação Geográfica afetadas por dificuldades de escoamento da produção; o reforço das verbas destinadas à promoção do vinho português através do reforço das parcerias com as Comissões Vitivinícolas Regionais (CVR’s), tanto no mercado nacional como nos mercados externos, como resposta estrutural - e não apenas de emergência - à atual quebra do consumo; a adoção de medidas de médio e longo prazo que contribuam para corrigir os desequilíbrios estruturais do setor, nomeadamente através de uma melhor regulação e acompanhamento do mercado dos vinhos de mesa(nacionais e importados), do ajustamento entre produção e consumo, da adequação da produção à evolução da procura - incluindo o atual desequilíbrio entre vinhos tintos e brancos - e da redução da pressão concorrencial resultante do crescimento das importações.
A crise que atualmente afeta a vitivinicultura portuguesa exige uma resposta nacional, coordenada e estrutural, refere a Associação. O apoio ao Douro é positivo e necessário, mas não pode ser a única resposta a um problema que se estende a todo o território vitivinícola nacional.