Benefício para produção de Vinho do Porto contempla mais 1.000 pipas face à última campanha.
O Douro estima um aumento de 25% a 30% na produção de vinho em relação a 2025. As previsões foram elaboradas pela Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), com base no método polínico — cujos dados são colectados durante a fase de floração das videiras nas três sub-regiões do Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior) — e, portanto, não levam em conta fatores posteriores à floração que afetam a produção Segundo a ADVID, a previsão de produção varia entre 243.000 e 272.000 pipas de 550 litros (ou seja, entre 133 milhões e 150 milhões de litros). No entanto, a incerteza quanto à evolução do ciclo vegetativo sugere que a produção provavelmente ficará próxima ou até abaixo do limite inferior dessa faixa.
A produção declarada na região do Douro para 2025 foi de 178.000 pipas, ou 98 milhões de litros. Esse volume representou o segundo menor nível de produção da região nos últimos 25 anos. Tal previsão surge num momento de pressão significativa sobre a oferta e existências.
Mais recentemente, o Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) deliberou pelo aumento de 1.000 pipas de produção de mosto generoso – o chamado benefício – face à campanha anterior.
Recorde-se que o benefício caiu de 104.000 pipas (550 litros cada) em 2023 para 90.000 em 2024 e 75.000 em 2025, representando uma redução total de 29.000 pipas ao longo de três anos. Para a presente campanha, está prevista a produção de 76.000 pipas (550 litros), o equivalente a 57 milhões de kg de uvas .
Fatores de instabilidade
A ADVID ressalta ainda, na sua previsão, que o resultado da vindima dependerá das condições climáticas que antecedem a colheita — como o calor intenso, que pode provocar stress hídrico nas videiras. O desenrolar da campanha 2026/2027 tem sido irregular. O inverno foi extremamente chuvoso, enquanto a primavera apresentou calor e baixos índices de precipitação; houve ondas de calor com duração de 12 dias em maio e 10 dias em junho. As videiras contaram com níveis adequados de água até o final de junho, mas atualmente enfrentam um estresse hídrico moderado; caso essas condições térmicas persistam ou se agravem, a produção final poderá ser afetada. Temperaturas muito elevadas podem comprometer o desenvolvimento dos bagos, e já foram observados casos de queimaduras solares nas uvas. Também ocorreram episódios localizados de granizo e o ciclo de desenvolvimento da videira está adiantado entre 10 e 12 dias, o que pode levar a uma colheita antecipada em relação ao habitual.
Este ano não houve pressão significativa do míldio, assegura a ADVID — a principal doença que afeta as fases iniciais do ciclo de cultivo e impacta fortemente a produção —, mas os viticultores precisarão manter-se atentos ao oídio e à cigarrinha verde, praga cuja incidência tem aumentado na região, especialmente na fase final do ciclo.