ProWein reorienta estratégia comercial

Fotografia: Fotos D.R.
Marc Barros

Marc Barros

Uma das mais antigas feiras de vinho da Europa, a germânica ProWein, pretende reocupar o espaço que detinha, face à importante concorrência da WineParis. Em entrevista à Revista de Vinhos, o diretor do certame, Frank Schindler, reconhece que a ProWein “cresceu de forma desenfreada e isso provavelmente foi um erro. Estávamos a perder o foco e esquecer o nosso DNA. Agora, queremos reafirmar o objetivo original da ProWein: promover ligações e gerar negócio para visitantes e expositores”. A próxima edição decorre entre 7 e 9 de março de 2027.

 

- Como uma das principais feiras da Europa, de que forma está a ProWein a atrair empresas e produtores de vinho face à concorrência da WineParis?

Atualmente, o mercado de vinhos está a atravessar uma transformação completa; poderíamos até designar uma situação disruptiva. Como feira de vinhos que oferece os seus serviços a esse mercado em transformação, também temos de repensar a nossa razão de ser. O surgimento da WineParis é apenas mais um elemento que nos obriga a definir melhor o nosso perfil. Nos últimos anos, houve certa confusão, mas percebemos que a situação está a ficar mais clara e cada feira consolida o seu próprio posicionamento.

 

- Considera que as duas feiras são complementares? Por que razão deveriam as empresas portuguesas investir na ProWein?

França, como um dos maiores países produtores de vinho, certamente precisa da sua própria feira, e a decisão de mudar de Bordéus para Paris foi muito acertada. Os visitantes da WineParis procuram principalmente vinhos franceses, assim como os visitantes da VinItaly fazem-nos, em maioria, com vinhos italianos. A ProWein, por outro lado, acontece no maior mercado importador do mundo. Os vinhos locais representam apenas 20% dos expositores da ProWein. Além disso, o DNA da ProWein está menos voltado para a representação e mais para a realização de negócios. Esse era, originalmente, o objetivo da feira quando foi fundada, em 1994. Nos últimos anos, a ProWein cresceu de forma desenfreada, e isso provavelmente foi um erro. Estávamos a perder o foco e esquecer o nosso DNA. Agora, queremos reafirmar o objetivo original da ProWein: promover ligações e gerar negócio para visitantes e expositores.

 

- Quais são os principais dínamos nos próximos anos para a indústria do vinho que pretendem abordar na feira e que possam fazer a diferença para os operadores portugueses?

O nosso objetivo não é vender o máximo de espaço possível, mas sim atrair compradores relevantes, para que produtores e compradores possam conectar-se. Focamos em compradores da Escandinávia, do Benelux, do Reino Unido, Ásia, África e Américas, e queremos que eles entrem em contato com os produtores. Além disso, Düsseldorf fica no coração da Renânia-Palatinado, a região alemã onde está sediada a maioria dos importadores de vinho.

 

- Agora que o mercado direciona-se para bebidas com baixo teor alcoólico ou sem álcool, bem como baixo teor de açúcares, que espaço ainda resta para vinhos fortificados e doces, como o Vinho do Porto e Madeira? A ProWein está atenta a esse segmento tão importante dos vinhos portugueses?

É, sem dúvida, um grande desafio falar sobre vinhos fortificados em tempos de campanhas contra o consumo de álcool, mas estamos convencidos de que Madeira e Vinho do Porto estão entre os melhores vinhos do mundo.

No "Agora", o nosso espaço de conferências durante a ProWein, poderemos destacar a importância da cultura e dos vinhos historicamente relevantes. Além disso, oferecemos um novo formato para novos expositores, chamado "Discovery Zone". Esta área da ProWein contará com a curadoria de especialistas e críticos externos, que poderão identificar produtores promissores e sugerir a sua participação nessa zona especial. Ficaríamos muito felizes em ver também produtores de Porto e Madeira nesse espaço.

 

- Que outros tipos de vinho podem encaixar na feira?

Sem dúvida que todos os tipos de vinhos brancos frescos são muito bem-vindos, pois observamos uma forte procura por parte dos compradores no momento. Mas também gostamos muito de ver vinhos tintos frescos — menos conhecidos nos mercados fora de Portugal, como o Vinho Verde Tinto ou vinhos dos Açores. Além disso, daremos destaque a vinhos naturais, vinhos biodinâmicos e regiões emergentes.