A ViniPortugal definiu uma meta ambiciosa: atingir os 1,2 mil milhões de euros em exportações de vinhos portugueses. O objetivo foi traçado esta quinta-feira durante o Fórum Anual da ViniPortugal, a decorrer em Almeirim, onde foi apresentado um orçamento de 8,07 milhões de euros focado em 83 ações promocionais por todo o mundo.
A grande novidade do plano para o próximo ano reside numa mudança estrutural na geometria do investimento externo. O Brasil assume a liderança como o mercado com maior dotação orçamental, ultrapassando os Estados Unidos da América. Esta alteração estratégica surge num contexto em que as condicionantes económicas se agravaram em 2025, obrigando a um ajustamento de velas.
O mercado brasileiro verá o seu investimento crescer 13%, totalizando 1,45 milhões de euros, verba que servirá para dinamizar ações em 11 cidades daquele país.
Em sentido inverso, os EUA, agora o segundo maior mercado em termos de orçamento, sofrem um corte significativo de 34%. O pódio dos grandes investimentos fica completo com o Canadá (apesar de uma diminuição de 11%, com 800 mil euros alocados). Em conjunto, estes três países representam 45% de todo o esforço financeiro da ViniPortugal.
Aposta reforçada nas grandes feiras e em Paris
As feiras internacionais continuam a ser uma montra vital, absorvendo 22% do investimento total da ViniPortugal. O destaque vai para o crescimento da relevância da Wine Paris, evento onde Portugal se afirmará como o terceiro maior expositor, logo atrás dos gigantes Itália e Espanha, confirmando a importância crescente da capital francesa no circuito mundial do vinho em detrimento de outros palcos tradicionais. A presença na Prowein mantém-se também no calendário.
Sustentabilidade, Influenciadores e Enoturismo
Para 2026, a estratégia de comunicação diversifica-se. O plano dá protagonismo aos produtores que ostentam o Referencial Nacional de Sustentabilidade, uma "bandeira" cada vez mais valorizada nos mercados externos.
Paralelamente, a promoção digital ganha força com o recurso a influenciadores mundiais de vinho. O enoturismo é outro pilar central, posicionando Portugal como um destino de referência internacional.
Europa e outros mercados
Na Europa, o comportamento do investimento é misto. O Reino Unido recebe um reforço de 11% (270 mil euros), a Ucrânia vê o investimento subir 23% (cerca de 65 mil euros) e a Polónia cresce 5% (110 mil euros). Por outro lado, os mercados Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo) e Suécia sofrem cortes de 27% e 49%, respetivamente. Em Espanha, a presença resume-se à feira de enoturismo em Valladolid.
Já em África, Angola mantém-se no mapa com o Festival de Vinhos de Portugal e um investimento a rondar os 100 mil euros. Na Ásia, a China regista um ligeiro decréscimo (-2%) e o Japão mantém o investimento focado em Tóquio.