A sustentabilidade não pode ser encarada como um mero slogan mediático
A sustentabilidade não pode ser encarada como um mero slogan mediático. É hoje um imperativo transversal a todas as atividades económicas e sociais, representando simultaneamente um desafio e uma oportunidade. Um desafio, porque exige a transformação de práticas enraizadas ao longo de décadas; uma oportunidade, porque a adoção de modelos mais sustentáveis constitui o caminho para preservar os recursos naturais, reforçar a competitividade das empresas e garantir um futuro mais equilibrado para as gerações vindouras.
Na Região Demarcada do Douro, a sustentabilidade assume uma relevância particular. O desenvolvimento da região terá necessariamente de assentar na conjugação harmoniosa entre um património histórico e cultural único e as exigências de uma economia moderna, mais verde, circular e eficiente na utilização dos recursos. Preservar a paisagem, a biodiversidade e o equilíbrio do ecossistema duriense é tão importante quanto assegurar a prosperidade económica das empresas e das comunidades que aqui vivem e trabalham.
Num contexto de crescente concorrência internacional, a sustentabilidade tornou-se também um fator de diferenciação e competitividade. Os mercados, os consumidores e os investidores valorizam cada vez mais organizações que demonstrem responsabilidade ambiental, social e de governação. As empresas que incorporam estes princípios estão mais bem preparadas para responder às exigências do mercado e para criar valor de forma duradoura.
A adoção destes princípios deixou de ser apenas uma opção estratégica para passar a constituir uma exigência do próprio mercado. As novas gerações de consumidores valorizam cada vez mais a transparência, a responsabilidade ambiental e o impacto social das organizações. Neste quadro, a integração dos critérios ESG, ambientais, sociais e de governação, revela-se fundamental para reforçar a confiança dos consumidores nos produtos com a chancela Porto e Douro, consolidando a sua reputação e contribuindo para a criação de valor acrescentado.
As empresas da região têm demonstrado uma crescente consciência desta realidade. O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP, IP) tem procurado desempenhar um papel ativo neste processo, promovendo ações de sensibilização e capacitação que permitam acelerar a transição para modelos de produção e gestão mais sustentáveis. Um exemplo desse compromisso coletivo é a Declaração pela Sustentabilidade da Região Demarcada do Douro, subscrita por 34 entidades fundadoras, entre municípios, instituições de ensino superior e organismos públicos, com o objetivo de promover uma visão integrada do desenvolvimento sustentável da região.
Importa também sublinhar que a sustentabilidade não deve ser encarada como um custo adicional ou um investimento de retorno incerto. Pelo contrário, a experiência demonstra que a adoção de práticas sustentáveis gera benefícios concretos e mensuráveis. A gestão eficiente dos recursos hídricos, a utilização de energias renováveis, a preservação da qualidade dos solos e a redução do desperdício contribuem simultaneamente para diminuir custos operacionais e aumentar a eficiência das organizações.
Quando aliadas à inovação e aos princípios da economia circular, estas práticas permitem ainda reintegrar recursos e materiais nas cadeias de valor, criando oportunidades de negócio, reduzindo desperdícios e reforçando a competitividade das empresas.
A relevância deste setor para a economia regional é amplamente reconhecida. A Região Demarcada do Douro integra cerca de 18 mil viticultores e mais de 40 mil hectares de vinha, constituindo um dos mais importantes motores económicos do interior do país. Em torno dele gravitam outras atividades fundamentais, como o setor agroalimentar, o enoturismo e o turismo de natureza. A sustentabilidade assume, por isso, uma importância estratégica acrescida, na medida em que contribui para preservar os recursos que sustentam a atividade produtiva, reforçar a competitividade das empresas e garantir a criação de valor ao longo de toda a cadeia económica.
Mas a sustentabilidade no Douro não se esgota na dimensão ambiental. Passa igualmente pela valorização dos viticultores, pela criação de oportunidades para os jovens, pela qualificação dos recursos humanos e pela capacidade de fixar população num território marcado por desafios demográficos significativos. A dimensão social da sustentabilidade é determinante para assegurar a coesão territorial e a continuidade da atividade económica.
O Douro recebe anualmente cerca de 400 mil hóspedes. Quando considerados os fluxos turísticos associados à navegação fluvial, este número ultrapassa 1,3 milhões de visitantes. Estes indicadores demonstram a crescente importância do turismo para a economia regional, mas evidenciam igualmente a necessidade de gerir de forma responsável os impactos associados à atividade turística, mitigando riscos de pressão excessiva sobre os recursos naturais e sobre o património paisagístico e cultural.
As oportunidades associadas à sustentabilidade estendem-se igualmente aos setores agroalimentar e turístico. A crescente procura por produtos de origem certificada, produzidos de forma responsável e com menor impacto ambiental, abre novas perspetivas de valorização para as empresas agroalimentares da região. Do mesmo modo, o enoturismo e o turismo de natureza encontram na sustentabilidade um fator diferenciador cada vez mais valorizado pelos visitantes, contribuindo para reforçar a atratividade do Douro enquanto destino de excelência e para gerar riqueza de forma equilibrada e duradoura.
A sustentabilidade é, por isso, muito mais do que uma tendência ou um argumento de marketing. É um compromisso com o futuro. A transição para modelos de gestão assentes em critérios ESG, a promoção da inovação e a adoção de práticas de excelência deixaram de ser facultativas. São hoje fatores determinantes para reforçar a competitividade, criar valor e assegurar que a Região Demarcada do Douro continue a afirmar-se como uma referência mundial de qualidade, autenticidade e sustentabilidade.
Porque proteger o Douro é, acima de tudo, garantir que as próximas gerações possam continuar a viver, trabalhar e prosperar num território único no mundo. Neste contexto, iniciativas como o programa Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade, promovido pela Associação Empresarial de portugal (AEP), assumem um papel particularmente relevante, ao contribuírem para a sensibilização, capacitação e mobilização das empresas para práticas de gestão mais sustentáveis e alinhadas com os desafios do presente e do futuro.
Por Gilberto Igrejas, Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP, IP)