Brancos do Dão, bons vinhos

 
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Nuno Guedes Vaz Pires

Nuno Guedes Vaz Pires

Se gosta de vinhos imediatos e fáceis, com fruta e notas aromáticas a rodos, um branco do Dão não será a melhor opção. Se prefere um vinho branco mais complexo e por vezes até com uma untuosidade significativa, que tenha um mineral granítico acentuado, que possa evoluir durante anos, que seja uma opção de consumo para as quatros estações do ano, que nunca o deixe ficar mal no capítulo da harmonização gastronómica – incluindo propostas mais arrojadas –, escolher um Dão é meio caminho para ser bem-sucedido.

Um dos segredos destes brancos reside na casta Encruzado, que naquela região se expressa sem par. O outro, na melhoria significativa das práticas de viticultura
e de enologia das últimas décadas, algo que é comum ao aumento generalizado de qualidade dos vinhos portugueses.

A seguir, cinco conselhos para que o proveito de um branco do Dão seja ainda maior.

 

1

Não espere de um vinho branco do Dão um vinho para a piscina. Ao escolhê-lo, pense em momentos de consumo sobretudo relacionados com gastronomia.

 

2

Se quer avaliar a qualidade, em estreme, de um Encruzado procure um vinho que use pelo menos 85% dessa casta. Saiba, todavia, que há grandes vinhos de lote brancos do Dão, em que o Encruzado se alia a variedades como Malvasia Fina, Arinto, Bical, Fernão Pires ou Verdelho, por exemplo.

 

3

Boa parte dos brancos do Dão tem uma notável capacidade de envelhecimento. Mas, alguns vinhos podem estar ainda a encontrar-se no segundo ou terceiro ano após colheita. Ultrapassada essa fase, o tempo só os melhora.

 

4

À capacidade longeva, os brancos do Dão somam outra característica bem saudável, a versatilidade de harmonização gastronómica. E o leque de escolhas nesse capítulo é vasto, incluindo confeções mais condimentadas ou até de porte mais pesado.

 

5


A altitude, característica sempre benéfica para aumentar a frescura de um vinho, é um dos principais motivos de sucesso da casta Encruzado. Mas há um conjunto de outros detalhes, climáticos e de solo, que fazem dos Encruzados do Dão absolutamente únicos e, por isso, dificilmente replicáveis noutra região.

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