Vindima 2019/2020 trará aumento de produção de 10%

Fotografia: Arquivo
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Marc Barros

Marc Barros

A próxima vindima deverá trazer um aumento de produção na ordem dos 10%. Segundo nota informativa do Instituto do Vinho e da Vinha, a produção global rondará os 6,7 milhões de hectolitros, o que representa um aumento de 4% face à média das cinco últimas campanhas.

 


É antecipado o aumento de produção na maioria das regiões face à campanha anterior, com exceção de Lisboa e do Tejo, onde são expectáveis quebras não superiores a 10%, face a 2018.  Em sentido inverso, as regiões das Terras do Dão e Terras da Beira são as que apresentam um maior potencial de subida relativamente à última campanha (+35%). Douro e Trás-os-Montes terão um crescimento de 30%.
No caso do Douro, estes números vão no seguimento do anunciado pela ADVID; na sequência da previsão pelo método polínico, é esperado um aumento de 23% da produção face à média dos últimos cinco anos. Este ano, o potencial de produção na Região Demarcada do Douro deverá situar-se entre 263.000 e 288.000 pipas de vinho (550 litros cada, ou seja, entre 144.650 e 158.400 milhões de litros). 
No entanto, entre a análise que resulta nesta previsão e a data da colheita, muita coisa pode mudar. Por enquanto, as observações mostram que o ano vitícola decorreu “relativamente bem” do ponto de vista fitossanitário. As uvas são “muito saudáveis”, ao contrário do que aconteceu no mesmo período do ano passado, quando se verificaram escaldões e fortes ataques de míldio. Esta doença veio por em causa as previsões feitas na fase de floração em 2018. A ADVID previu entre 254.000 e 273.000 pipas, depois fez uma revisão em baixa de 230.000 e no final da colheita menos de 200.000 foram realmente contabilizadas. As condições climáticas deste ano têm sido favoráveis e o ano decorre sem muita pressão de doenças.


Recorde-se que, na última campanha, a vindima no Douro diminuiu em 15% para as 197.077 pipas de vinho. Em 2017, a colheita na região terminou com 232.171 pipas. O conselho interprofissional do IVDP estabeleceu o benefício para a colheita de 2018 em 116.000 pipas para a produção do vinho do Porto.

O ano de norte a sul

Segundo o IVV, a região dos Vinhos Verdes antecipa um aumento na produção de 10%. O inverno seco contribuiu para a destruição de muitos oósporos do míldio e a primavera fria não favoreceu as infeções primárias graves. As diferenças de temperatura sentidas de forma repentina, promoveram a ocorrência de algum desavinho (especialmente na casta Loureiro). Prevê-se maior produção para as castas Arinto, Alvarinho e Fernão Pires. 
Em Trás-os-Montes espera-se um acréscimo de 20% na produção. Ao nível fitossanitário não se verificaram doenças ou pragas que causassem prejuízos significativos. Quanto a acidentes meteorológicos apenas de referir a queda de granizo ocorrida em julho, no concelho de Mogadouro. O aumento previsível é significativo devido à baixa produção do ano anterior.


Na Bairrada é esperado um aumento de produção de 5%, no entanto inferior à média das 5 últimas campanhas (-18%). Existe alguma heterogeneidade no tamanho dos bagos, e as videiras com muita folhagem ao nível dos cachos, facilitou o aparecimento de focos de oídio. Por sua vez, no Dão prevê-se uma subida na produção de 35%. As videiras, no geral, encontram-se em bom estado sanitário apresentando bagos bem desenvolvidos.
Na Beira Interior prevê-se um aumento na produção de 35%, em oposição ao baixo volume obtido em 2018 motivado pelos fortes ataques de míldio e pelo escaldão. Este ano a produção está dentro dos valores médios da região. Já na região Terras de Cister espera-se um aumento de 25% na produção.


O Tejo espera uma quebra da produção (-5%), tal como em Lisboa (-10%). Até à data, o ciclo vegetativo regista um atraso de uma semana. Na Península de Setúbal é antecipado um aumento de produção de 10%, o mesmo valor que no Alentejo. No Algarve o aumento será ligeiramente inferior, ainda assim de 5%, impulsionado pela entrada em produção de novas vinhas. 
Nas regiões autónomas, a Madeira antecipa um aumento de produção de 10%. Na generalidade, as vinhas encontram-se em bom estado fitossanitário. Por sua vez, nos Açores a previsão global é de um aumento de produção de 11%. Até ao presente, as condições climatéricas concorrem para um bom desenvolvimento da vinha. A continuar esta conjuntura favorável, a expetativa é de um bom/excelente ano vitivinícola, em quantidade e em qualidade.
 

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