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A grande festa do Douro Superior

16 Junho, 2013 02:28 | Texto António Falcão Fotografias Ricardo Palma Veiga

A segunda edição do Festival do Vinho do Douro Superior, que decorreu mais uma vez em Vila Nova de Foz Côa, confirmou as credenciais do ano passado: esta sub-região do Douro está em movimento e tem ainda muito para mostrar ao mundo dos enófilos e gourmets.


Foram cerca de 70 os stands de produtores de vinho e produtos gourmet que encheram o pavilhão ExpoCôa, um dos ex-libris desta cidade duriense. A organização coube mais uma vez à Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, cidade que se assumiu, contra ventos e marés, como a capital do Douro Superior. A aposta é liderada pelo presidente da Câmara, Gustavo Duarte, que reconheceu há anos que o concelho precisava de promover as suas mais-valias. E a maior é certamente o vinho. O facto de empresas de grande prestígio terem começado a investir nesta região – e falamos de nomes como Quinta do Crasto, João Portugal Ramos-Duorum, Jean-Michel Cazes, Grandes Quintas, entre vários outros – só veio reforçar esta ideia. Os nomes que referimos juntaram-se a outros que há décadas já por aqui estão, como a Sogrape/Quinta da Leda, a Quinta do Vale Meão, a CARM, a Ramos Pinto, Symington ou VDS, para só falarmos destes. Com algumas (poucas) excepções, todos os produtores de nomeada estiveram presentes e muitas vezes com os próprios enólogos e produtores. Foram vários os stands a promover os produtos gourmet da região, como a amêndoa e o azeite. Estes dois produtos, em conjunto com o vinho, formam o triângulo agrícola nuclear da região. No final do certame, que durou três dias, quase 6.000 pessoas passaram pelo pavilhão do evento. Para as provas, os visitantes podiam adquirir um copo à entrada (e a respectiva bolsa de colocar ao pescoço) por dois euros.


Actividades anexas


Tal como no ano passado, o festival incluiu um conjunto de acções paralelas. Na sexta-feira, ainda antes da inauguração do evento, ocorreram duas: o 2º Concurso de Vinhos do Douro Superior e o colóquio “A Vinha, o Vinho e o Mercado: desafios par o Douro Superior”. No primeiro caso relegamos para notícia anexa. Refira-se ainda que a maioria dos jurados aproveitou para visitar, durante os três dias do festival, várias quintas da região. Quanto ao Colóquio, incluiu sete comunicações e uma mesa redonda. A coordenação pertenceu a João Afonso, da Revista de Vinhos. Da parte da manhã dois temas em evidência: “Flavescência Dourada”, por Cristina Carlos, da ADVID e “Porta enxertos, castas e clones do Douro Superior” por António Graça da Sogrape. A Flavescência, uma doença grave da vinha, foi exposta de modo muito preciso e ficou bem claro que, ou tomamos (todos sem excepção) as devidas providências contra esta nova ameaça, ou o resultado pode ser muito mais devastador do que aquilo que podemos imaginar. António Graça, por sua vez veio mostrar o elevado profissionalismo da empresa onde desenvolve trabalho. Nas vinhas da Sogrape, o futuro é já o presente: quintas divididas em parcelas específicas de solo/clima/castas/clones, com o “simples” objectivo de retirar de cada parcela o melhor que ela tem para dar. A mesa redonda que sondou “50 Anos de Viticultura Duriense” ficou aquém das expectativas e muito ficou por discutir e concluir. O limite de tempo e alguma inércia cautelosa deixaram muitas perguntas no ar. Da parte da tarde, duas excelentes comunicações. A primeira de Nuno Borges, da Ad. Coop. de Vila Real, que provou que o Douro pertence aos durienses, esclarecendo que uma adega à beira da falência há uns anos atrás pode ser hoje um study case de sucesso. E a segunda, de Renata Abreu, da Quinta Nova, que ao relatar os pontos fundamentais (e não foram poucos) da sua experiência a vender o Douro e Portugal nos mercados externos, não deixou de confessar que por lá ainda se admiram com a cor branca da sua pele, porque sempre pensaram que Portugal ficava na América do Sul (!)


Provas comentadas


O 2º Festival do Vinho do Douro Superior contou ainda com três provas comentadas. João Afonso apresentou vários “Brancos de Terroir do Douro Superior”, realçando as diferenças entre eles, consoante os diferentes elementos geográficos e geológicos. Uma prova interessante, muito participada. No Sábado à tarde, Nuno Oliveira Garcia, um colaborador da Revista de Vinhos, apresentou magistralmente vários Vintages de Quinta do Douro Superior. Finalmente, um encerramento em beleza: Luís Antunes mostrou “20 anos de grandes tintos do Douro Superior”, reunindo um notável conjunto de vinhos, incluindo o Reserva Especial da Casa Ferreirinha de 1986, ainda em grande forma apesar dos seus quase 27 anos (!) de idade. Participaram vários enólogos que ajudaram a descrever os vinhos e contar as respectivas histórias na sua base. Extremamente interessante e a provar que os grandes vinhos desta região são fantásticos e longevos. Pelo meio, duas outras iniciativas: destaque para uma prova de Azeites do Douro Superior, ministrada pelo técnico Francisco Pavão, um dos melhores especialistas nacionais nesta área. E ainda um workshop com o tema “Saber Servir; Vender Melhor”, onde dois técnicos do IVDP ensinaram uma audiência – sobretudo compostas por profissionais da restauração – a servir e valorizar o Vinho do Porto, especialmente na harmonização deste néctar com a comida.


Um sucesso a grande altura


O Douro Superior emerge de algum anonimato que lhe tolheu os movimentos durante décadas. Um conjunto de factores tem contribuído para mudar esta situação, colocando a região no mapa dos enófilos. A melhoria brutal nas vias de acesso é um desses factores: em menos de quatro horas é possível chegar de Lisboa a Vila Nova de Foz Côa, por exemplo, até porque o viajante pode usar, se o entender, exclusivamente vias rápidas. A chegada de grandes e reputadas empresas da área vitícola é outro dos factores. A subida vertiginosa dos preços da terra agrícola na última década é um indicador seguro de que o Douro Superior está no bom caminho e a ganhar notoriedade. Finalmente, este evento contribui sobremaneira para levar às quintas um conjunto de líderes de opinião que vão transportar uma ideia diferente – e mais positiva – dos vinhos e gentes do Douro Superior, e em especial da sua capital, Vila Nova de Foz Côa.


 O 2º concurso dos vinhos do Douro Superior


Este concurso é um dos pontos altos do Festival do Vinho do Douro Superior. No segundo ano do evento o número de amostras aumentou um pouco mas mais notório ainda foi o aumento da qualidade média das amostras. É por isso que a tarefa do júri não foi nada fácil. No final da competição, emergiram como vencedores o branco Quinta da Sequeira Grande Reserva 2011, o tinto Quinta do Vale Meão 2010 e o Quinta de Ervamoira Vintage 2009 (da Ramos Pinto). Face à edição passada, este ano houve uma ainda maior participação, com 160 vinhos inscritos, a maior parte tintos (105), mas também brancos (39) e, claro, Vinhos do Porto (16). A qualidade média dos vinhos foi muito alta: praticamente todas as marcas enviaram os seus topos de gama e designações de Reserva, Grande Reserva ou Grande Escolha era comuns. Não estranha por isso a vasta atribuição de prémios. No total foram atribuídas 17 medalhas de Ouro, 18 medalhas de Prata e 30 medalhas de Bronze. Ainda assim foram vários os vinhos que, tendo pontuação para atingir uma medalha, ficaram de fora dos prémios por questões de quota de medalhas face ao total de vinhos. Quase nos arriscaríamos a dizer que este será o concurso português com melhor nível médio de qualidade de vinhos. Um facto curioso é a participação de algumas grandes marcas desta região, verdadeiros ícones, que normalmente não entram em concursos. O júri foi constituído por especialistas na área vínica, de vários quadrantes: proprietários de garrafeiras, críticos de vinhos, jornalistas especializados, bloggers, entre outros. Ao todo foram 21 os jurados presentes; todos eles tiveram a oportunidade de avaliar os finalistas em cada categoria, os vinhos mais pontuados. Foram 4 vinhos brancos, 6 vinhos tintos e 4 Vinhos do Porto. Só depois desta finalíssima foi escolhido o vencedor absoluto em cada categoria Toda a logística e coordenação do concurso ficou a cargo da equipa da Revista de Vinhos, coordenada pelo seu director, Luís Ramos Lopes, o director técnico da prova. De seguida apresentamos as Medalhas de Ouro: os vencedores em cada categoria estão em primeiro lugar na lista. Quanto ao resto dos resultados, poderá consultar o site da Revista de Vinhos (www.revistadevinhos.pt)


Medalhas de Ouro


Vinho Branco


Quinta da Sequeira Grande Reserva 2011 (Mário Cardoso)


Azinhate 2010 (H. Abrantes)


Conceito 2011 (Conceito Vinhos)


Valle do Nídeo 2011 (H. Abrantes)


Vinho Tinto


Quinta do Vale Meão 2010 (F. Olazabal)


D. Graça Vinhas Antigas 2009 (Vinilourenço)


Duorum Reserva 2009 (Duorum Vinhos)


Palato Reserva 2011 (5 Bagos)


Pombal do Vesúvio 2009 (Symington Family Estates)


Quinta da Leda 2010 (Sogrape Vinhos)


Zom Touriga Nacional 2009 (Barão de Vilar)


Vinho do Porto


Quinta de Ervamoira Vintage 2009 (Adriano Ramos Pinto)


Amável Costa 20 Anos (Agostinho Amável Costa)


Burmester Quinta do Arnozelo Vintage 2009 (Sogevinus Fine Wines)


Graham´s 20 Anos (Symington Family Estates)


Quinta de Ervamoira Tawny 10 Anos (Adriano Ramos Pinto)


 

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